O lado B do 25 de Abril (Dia #1)

Ciclo “25 de Abril, 25 Mulheres, 25 Livros”

Nos primeiros passos desta grande aventura, lá no PPL, desafiei as pessoas, principalmente as mulheres que se sentissem identificadas, a contribuir com uma foto/selfie. Podem ver o resultado no instagram e podem continuar a enviar as vossas fotografias (osteuslivros@gmail.com) e a apoiar esta aventura aqui»» no Plano B.

O mote era: “As mulheres que lêem são perigosas”

Um mote que terminava por ser em simultâneo uma questão: As mulheres que lêem são perigosas?

Mote inspirado no livro de Stefan Bollmann com o mesmo nome e em todas as mulheres que ao longo da história, tiveram que fazer o pino para ler tranquilamente aquilo que bem entendiam ou fazer vários mortais para escrever o que pensavam e sentiam.

Fotos em jeito de canto a liberdade que os livros nos oferecem e uma homenagem as mulheres leitoras e escritoras.

As mulheres fomos tradicionalmente relegadas a um papel secundário e habitualmente passivo na sociedade. Encontrando na leitura uma forma de romper os limites do nosso mundo. Uma porta aberta ao conhecimento, a imaginação, ao acesso a outro mundo, a um mundo de liberdade e independência, que nos permite desenvolver e adaptar, aos poucos, aos novos papéis (de género) na sociedade.

Na Livraria de Mulheres Confraria Vermelha online vão ter a oportunidade de percorrer, através das histórias que as mulheres vivem e contam, a estreita relação entre as mulheres e os livros, as mulheres e o mundo.

O lado B do 25 de Abril

Que melhor do que começar o ciclo “25 de Abril, 25 Mulheres, 25 livros” (de 25 de Abril até 25 dia Maio) revisitando o lado B da Revolução de Abril, o lado das mulheres.
O lado B das Bravas do pelotão de luta pela liberdade e pela paz. Vamos conhecer através das histórias vividas e contadas pelas suas protagonistas: As mulheres de Abril.

circulo logoA revolução do dia 25 de Abril de 1974 foi baptizada como a Revolução dos Cravos. Dos cravos vermelhos.

Foi a Celeste Caseiro, a florista, “que lhe deu” o nome e a cor quando ofereceu um cravo a um militar.

Este e outros gestos (e acções) de muitas mulheres fizeram com muitas outras mulheres sintamos que o 25 de Abril foi uma revolução na Revolução para nós mulheres.

A revolução de Abril pôs fim a uma das mais longas ditaduras europeias, com a liberdade chegou o respeito pelo nosso direito ao voto. Voto e voz… a voz de Clarisse Guerra na Radio Clube Português lendo, no dia 25 de Abril 1974, o comunicado do MFA (Movimento das Forças Armadas).

E assim saímos a rua (sim, eu de alguma forma saí com elas)… para conquistar o espaço público… para tomar a palavra… para expressar a nossa visão ao mundo. As nossas avós e mães conquistaram outros domínios e espaços para que nós, deixássemos de ter trabalhos escondidos e não reconhecidos (logo não remunerados). Para que tivéssemos salários e direito a ter o nosso próprio dinheiro.

A verdade, é que as mulheres que nos abriram o caminho tinham, muitas delas, vidas silenciadas, viviam de portas para dentro (onde também não podiam fazer muito barulho) mas se formos curiosas, e vasculharmos a nossa história, também as vamos descobrir nos movimentos políticos clandestinos. Mas até nestes movimentos o trabalho delas era na sombra mas elas tinham um objectivo claro, e não desistiam: conquistar (a nossa) liberdade.

E depois de conquistada a liberdade, de descobrirem que podiam sair a rua e de dizer “Não” elas continuaram a luta… a luta pela igualdade de direitos e oportunidades.

As mulheres nunca desistem… As nossas avós e as nossas mães foram as vítimas silenciadas da ditadura… silenciadas pela exclusão desenhada por casamentos forçados, pela honradez que implica ser mulher… mas não se enganem, o patriarcado que sustentava esta exclusão, era transversal a todas as ideologias políticas.

Nesta revolução [como em tantas outras (re)voluções] houve bravas mulheres que se atreveram… que ousaram… Ousaram ser, ousaram sentir… ousaram iniciar o caminho à procura da sua identidade (roubada), dos seus direitos e da sua dignidade. As mulheres saíram a rua não porque era uma obrigação (daquele momento histórico) mas porque era um desejo… o seu desejo mais íntimo.

O caminho estava iniciado e os primeiros passos foram de profunda transformação na vida das mulheres… a igualdade formal entre homens e mulheres começava a ser real ( 40 anos depois ainda não o é por isso ainda temos muito que caminhar). Chegou o divórcio, o salário mínimo nacional, as possibilidades de carreira superior. As mulheres deixaram de ser propriedade do pai e depois do marido e passaram a poder abrir as suas próprias contas bancárias e a ter o seu próprio dinheiro.

Pequenas mudanças no quotidiano que fazem com que eu (nós) 
hoje possa sonhar e tornar realidade o que sonho.

Sem dúvida nenhuma, a noite de 24 a 25 de Abril de 1974 não foi uma noite como a de hoje de 2015… apesar da noite de hoje supor um antes e um depois na minha vida (a partir de amanhã vou ser livreira minha gente!)  a noite de 1974 supôs um antes e um depois nas nossas vida.

Hoje, eu estou a um passo de empreender uma grande aventura (abrir a Livraria Confraria Vermelha Online) mas há 41 anos atrás, as mulheres não empreendiam, as mulheres estavam em casa que era o lugar delas, dizia o Srº Regime Estado Novo. As tarefas domésticas e o cuidado d@s filh@s eram tarefas femininas, dizia ele. Trabalhar no comércio, no mundo livreiro, abrir uma conta no banco ou viajar sozinha sem autorização de um homem (o pai, o irmão, o marido) isso, sim, era coisa de homens.

O dia 25 terminou e a luta das mulheres continuou… criaram cooperativas; Ocuparam casas e edifícios e criaram comissões de mulheres. Comissões de solidariedade, de alfabetização, de auto-gestão, de luta pelo emprego. Participação, voz própria e liberdade. A cidadania começava a ser (também) feminina.

As mulheres não só tiveram uma participação activa nessas
transformações, como tais transformações criaram condições 
para uma profunda alteração nas suas vidas.

Vamos conhecer a História das mulheres na nossa história

A guerra colonial, esta presente na vida de muitas famílias, eu cresci a ouvir o meu pai (ex-combatente) contar histórias da guerra colonial. Crescemos ouvindo as histórias de homens que foram a guerra mas e as mulheres?! Como viveram elas a guerra colonial?

Sofia Branco, jornalista, percorreu o país a ouvir histórias de mulheres que viveram a guerra colonial, participando nela de certa forma. O resultado é o livro “As Mulheres e a Guerra Colonial”, que apresenta a história no feminino de uma guerra que ainda agora está presente na vida de muitas famílias.

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A ditadura era o fantasma do qual tod@s tinham medo.

Muitas mulheres optaram por olhar nos olhos destes fantasma e a Cecília Honório achou que era preciso dizer que estas mulheres existiram, contavam e correram imensos riscos. Assim nasce o livro “Mulheres Contra a Ditadura”.

Um livro para dar visibilidade às raparigas do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ, 1946-1957), que arriscaram, estiveram presas, leram livros proibidos, recrutaram, discursaram, militaram nas campanhas, discutiram animadamente nos cafés, e desafiaram até a moral e os bons costumes do tempo, com a sociabilidade mista, que juntava raparigas e rapazes nos passeios no campo, nos piqueniques, ou cantando Lopes Graça. Cecília Honório foi à procura das que começaram a sua vida política no MUDJ e das muitas que passaram da luz à sombra, mesmo quando não desistiram de lutar contra a ditadura.

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Amor & Sexo. Como era o amor e o sexo no tempo de Salazar?

A resposta está em «Amor e Sexo no Tempo de Salazar», o livro de Isabel Freire, que relata um tempo onde amar era diferente para homens e para mulheres.

A autora faz uma viagem à década de 50, onde os costumes e a ditadura se aliavam para condicionar a forma de encarar o amor e a sexualidade. No novo livro, a jornalista e escritora Isabel Freire traça o retrato de uma sociedade onde as diferenças entre homens e mulheres saíam ainda mais acentuadas. Não era a mesma coisa amar e ser amado para os homens e para as mulheres nos anos 50.

As mulheres eram educadas para se «manterem puras e castas até ao casamento», enquanto os homens eram iniciados na sexualidade por membros mais velhos da família, na maioria das vezes junto de prostitutas. As diferenças não «vitimavam» apenas o lado feminino da história. Também os homens acabavam por sofrer na alma esta descriminação. «Os homens foram vítimas no sentido de terem visto o desenvolvimento da sua afectividade relativamente castrado», explica Isabel Freire.

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Hoje podemos falar das mulheres que amam mulheres… impensável durante a ditadura e em muitos outros períodos da história universal.

“Filhas de Safo” é o livro do historiador Paulo Drumond Braga que sistematiza a memória do lesbianismo em Portugal até ao início do século XX. Uma viagem pelos arquivos e pela literatura portuguesa. “Filhas de Safo” traça a história da Homossexualidade Feminina em Portugal.

Um ensaio sobre a história de relações sexuais e afectivas entre mulheres, em Portugal, desde a Idade Média até ao início do século XX. Friso, isso sim, que não é um inventário de mulheres que tiveram relações com mulheres, é sim uma obra historicamente contextualizada que lembra passos fulcrais na história da sexualidade europeia.

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“Novas Cartas Portuguesas”: uma leitura obrigatória e digo isto porque acredito que é um livro mais conhecido do que lido. Por isso vamos inverter esta ordem, vamos conhece-lo porque o lemos.

Talvez este conhecimento e esta ausência de leitura seja porque é um livro desterrado na sua própria terra, como ouvi uma vez alguém dizer. Apesar da sua 1ª edição em 1972 (e posterior apreensão) e de algumas reedições anos posteriores, o livro nunca chegou a ter uma circulação generalizada, e ainda que reeditado, nunca foi leccionado em universidades portuguesas, à excepção dos mestrados dirigidos por Ana Luísa Amaral.

Ana Luísa Amaral é responsável pela organizou a edição da obra 40 anos depois. Nas novas cartas que as três Marias, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, escreveram anonimamente, diversas vozes falam da condição da mulher, da sua submissão à ordem patriarcal e burguesa, de violência doméstica e de género, de aborto, violação, incesto, pobreza, censura, e de expressão sexual feminina.

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A revolução dos cravos vivida pelas mulheres dos militares. Podemos conhecer a sua visão no livro Capitãs de Abril de Ana Sofia Fonseca.

A jornalista recolhe os testemunhos de dez mulheres de alguns dos capitães que protagonizaram a revolução. Ana Sofia Fonseca diz que “é uma revolução feita por homens em tempo de homens. Portugal era um pais no qual as mulheres estavam reclusas do espaço privado. É natural que num pais assim a revolução fosse feita por homens.

Mas, é óbvio, que as mulheres existiam, pensavam, tinham opinião e tiveram um papel. Elas foram um grupo de apoio ao militares de Abril. Na verdade as mulheres ajudaram os maridos, militares ou não, na revolução, sempre na sombra, claro. Para além da clandestinidade.

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Nesta e em todas as (re)voluções as mulheres foram Revolução.
A vida das mulheres portuguesas mudou muito desde o final do século XIX

O livro Mulheres Portuguesas, com autoria de Irene Flunser Pimentel e Helena Pereira de Melo, mostra-nos o papel das mulheres ao longo do século XX. Passando por episódios históricos como o movimento feminista e sufragista na I República, o período do Estado Novo e as mudanças que surgiram com o 25 de Abril de 1974, as 500 páginas do livro – que se apresentam de forma cronológica – passam por quatro regimes políticos e apresentam cadernos com fotografias. (Brevemente uma fotoreportagem deste livro e entrevista a Irene Pimentel).

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6 thoughts on “O lado B do 25 de Abril (Dia #1)

  1. Maria Antonieta Cosra

    Estou feliz por vos poder encontrar aqui…é uma missão nobre , importante.Não conheço nem conheci livrarias para mulheres , mesmo vivendo em diversos países , essa lacuna deixou de existir…parabéns !

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  2. Maria de Lourdes

    Aida, é com enorme satisfação que lhe dou os meus parabéns, pela força, determinação, CRIATIVIDADE, dinamismo e militância à causa da Mulher. Bem haja pelo exemplo de empenho e militância que nos dá.
    Um abraço
    MLourdes

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  3. Aida, que bom! isto está mesmo a andar!!
    Vou experimentar a comprar um livro agora, se não funcionar mando-te um mail.
    Já divulgaste pelas várias faculdades? Há cada vez mais raparigas no ensino superior.
    beijinhos
    Maria

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