10 perguntas a Raquel Gaspar Silva

Raquel Gaspar Silva nasceu em 1981, em Évora. Licenciou-se em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estudou Criatividade Publicitária na Restart. Fábrica de Melancolias Suportáveis é o seu primeiro romance, um romance cuja ação decorre no Alentejo, marcado por um registo muito português. Talvez foi o que mais gostei neste livro, as tradições portuguesas como pano de fundo, os provérbios e rituais, os “dizeres”  como linha da verdade para alguns dos personagens.

Carlota é o nome da protagonista. É a história da própria Carlota contada através das imagens que guarda dos outros o que encontramos neste Fábrica de Melancolias Suportáveis, uma leitura quase visual.

Raquel Gaspar Silva uma nova voz na literatura portuguesa que podes também conhecer através do projeto de poesia, #domesticliteraturemovement, onde publica com o pseudónimo rawquel.

Escrever é a minha vocação.

Houve um dia no qual decidiste ser escritora?
Houve um dia em que o meu editor, depois de muito trabalho conjunto, me perguntou: “Vamos fazer um livro Elsinore?”.

O que é ser escritora?
Eu distingo o estatuto do acto de escrever. Escrever é a minha vocação. O estatuto é a condição que advém de fazer da escrita a minha actividade profissional.

O facto de seres mulher influência o ofício de escrever?
Sim. Escrevi este primeiro romance enquanto mãe a tempo inteiro e dona de casa. Encontrei o meu ritmo entre mudas de fraldas e preparar refeições, e outras tarefas inerentes a esta responsabilidade. Optei por ficar em casa com a minha filha em vez de trabalhar. E é nesta escolha que fiz, que reside o preconceito, porque a sociedade vê aqui um luxo. E devia ser um direito, acessível a todos. Há depois a questão da condição feminina, que sempre me interessou e perante a qual me posiociono do lado da luta pela igualdade.

Porquê escrever?
Costumo dizer: para arrumar fantasmas. Mas para simplificar, funciona como uma necessidade e um dever. Quando te surge a ideia de um livro, escreves. Se erras, assumes. É uma consequência da tua determinação, evitas o arrependimento (os tais fantasmas) de nunca o teres feito. Ou pelo menos tentado.

Quem te inspira, quem admiras?
Admiro valores, talento e trabalho árduo.
Enquanto leitora, tenho as minhas preferências:
Clarice Lispector, Anne Sexton, Nabokov… não acaba mas foram os primeiros nomes que surgiram.

Tens algum ritual ou mania antes, durante ou depois de escrever?
Escrevo mais fluidamente e com melhores resultados de manhã, bem cedo, de preferência quando tudo dorme ainda. Tiro muitas notas, tenho vários cadernos e folhas soltas onde anoto frases ou palavras.

Planificas a estrutura do livro, como surgiu a ideia de a Fábrica de Melancolias Suportáveis?
Fábrica de Melancolias Suportáveis é um depósito de memórias sentimentais. Contei uma história que já conhecia. Ficcionei uma história que conhecia. Depois de muito trabalho conjunto de edição, que inclui reescrever, selecionar, acrescentar, organizar e aperfeiçoar, surge o livro. Sei que o método será diferente no próximo romance.

Hoje escreveste?
Sim. Um mini guia de viagem. Uma lista de afazeres. Um esboço de algo que estou a preparar. Como já são 9.30 da manhã, retomo amanhã.

O que achas que vamos ouvir dizer de Raquel Gaspar Silva daqui a 10 ou 20 anos?
Espero continuar a escrever, o que dirão não consigo prever.

O que estás a ler neste momento?
Herta Muller, Hoje preferia não me ter encontrado.

 

 

Texto escrito por

 

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A escrita e a música ocupam o meu tempo

Entrevista Breve: Cristina Rocha

Ofício: escritora

Bem-vinda ao cantinho Ofício de Escritora – Entrevistas Breves. Cristina Rocha, muito obrigada por aceitares responder a umas perguntas para o blog da Confraria e parabéns pelo teu trabalho. Muitas felicidades!

Sobre Cristina Rocha dito pela própria

Considero-me uma sonhadora e lutadora. Trabalho em 3 áreas distintas e, tenho ainda, a escrita e a música que ocupa parte do meu tempo. Faço várias coisas e, confesso que, gosto de ter vários projetos em simultâneo. Tudo que conquistei profissionalmente foi suado e continuo o caminho do crescimento profissional, bem como, pessoal e emocional.

Estilo e Ritmo de Escrita

Gosto muito de erotismo e do universo feminino e acabo por interligar os dois. A poesia denota uma grande musicalidade, fruto da minha paixão por música. Mas penso que, António Graça Moura descreve melhor a minha escrita “… uma evidente e peculiar sensibilidade à dimensão erótica do fator amoroso nas relações interpessoais”.

O livro que mais gostaste de escrever e o que mais gostaste de ler

Quanto à escrita diria, o primeiro, “De Corpo e Alma…” em que todo o processo é de descoberta e de conquista. Ler, gosto um pouco de tudo, mas gostei do “Diário de uma cantora alemã” de Wilhelmine Schröder-Devrient, pela forma como descreve as relações eróticas.

O que nos espera no futuro

Espero continuar o caminho que tenho feito, com pequenas conquistas. Desejo evoluir profissionalmente e poder mostrar o meu trabalho a mais pessoas.

Onde podemos acompanhar a Cristina Rocha

Tenho uma página oficial no FACEBOOK, onde partilho poemas, ideias, pensamentos e o meu trabalho. Há, ainda, o SITE , onde o objetivo é dar informação sobre mim e o meu trabalho.

Escrever e ler, verbos que dominam.

Entrevista Breve: Sónia Jardim

Ofício: escritora

Bem-vinda ao cantinho Ofício de Escritora – Entrevistas Breves. Sónia Jardim, muito obrigada por aceitares responder a umas perguntas para o blog da Confraria e parabéns pelo teu trabalho e sucesso para o próximo livro que está quase, quase a nascer. Muitas felicidades!

Sónia Jardim dita pela própria

O meu nome é Sónia Jardim. Nasci em Lisboa, mas amo o campo, a natureza e, não raras as vezes, o som do silêncio, apenas o som das palavras magicamente guardadas nos livros que tanto amo… Identifico-me com as palavras de Edmondo Amicis:

“Coragem… pequeno soldado do imenso exército. Os teus livros são as tuas armas, a tua classe é a tua esquadra, o campo de batalha é a terra inteira, e a vitória é a civilização humana.”

O meu desejo de evasão é alcançado num verbo que me completa: viajar e é no regaço de Cabo Verde que acalento a minha alma. Cabo Verde, a minha Mátria.

Sou Licenciada em Gestão e Administração de Empresas e, durante mais de uma década, fui consultora financeira e analista de risco. No entanto e, felizmente, consegui acabar por me dedicar às minhas verdadeiras paixões, a escrita e investigação. Também sou fascinada por pintura, tendo participado num concurso de pintura organizado pela Foundation Claude Monet, em Giverny, onde recebi uma menção honrosa. No meu livro infanto-juvenil “As Aventuras de Cety na Ilha de Santo Antão” conciliei a escrita e a pintura, sendo as ilustrações de minha autoria.

O “bichinho” da escrita esteve sempre presente no meu ser e, aos sete anos de idade, recebi o meu primeiro prémio literário, com o meu conto “Grinalda”.

Publiquei o meu primeiro livro, o romance histórico “Família Jardim – O Segredo”, em 2011, com lançamentos em Portugal e Cabo Verde, tendo sido um verdadeiro sucesso e esgotou rapidamente nestes dois países. A 2ª edição foi lançada em Paris.

Após o sucesso deste livro decidi dar à estampa um livro que, tal como o anterior, tem uma base investigacional, mas dedicado ao público infanto-juvenil, “As Aventuras de Cety na Ilha de Santo Antão”.

A responsabilidade social assume uma componente importante na minha vida e sou madrinha de uma escola primária na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, e ajudo a comunidade carenciada em que a referida escola se insere.

Sou casada e mãe de um menino de nove anos, um verdadeiro orgulho, cujas opiniões assertivas sobre o que escrevo constituem também uma mais-valia para a minha escrita (a sua paixão é a leitura e História).

 Estilo e ritmo de escrita

A escrita é um verdadeiro prazer, a confluência de todos os pólos que concorre fortemente para o equilíbrio de todo o meu ser.

A investigação é a peça basilar da minha escrita e esta permite o fortalecimento da primeira. Nesta perspectiva, os meus livros baseiam-se sempre em factos reais e, com uma forte base investigacional, têm pouca componente ficcional. Acentuo o espírito dos lugares, das pessoas, da terra através da paisagem, do social, do arquitectónico… E o mistério, o segredo envolve sempre a minha escrita…

Com caneta na mão – ou não – as palavras presenteiam constantemente o meu cérebro e, neste sentido, também escrevo crónicas e poemas, principalmente para órgãos de informação on-line.

Escrever e ler são dois verbos que dominam positivamente a minha vivência.

Para espelhar de forma mais clara a minha escrita penso que, mais do que as minhas palavras sobre esse assunto, serão mais explícitas as palavras dos críticos que leram a minha escrita:

“(…) uma profusão de magia, cor e arte, positivamente desconcertantes no desfolhar de muitas, interessantes e intrigantes vivências. O código linguístico é quebrado, desaparecendo a lógica do senso comum ou do dejà vu. De narrativa envolvente, baseada em factos reais (…), investigação, suportada por sólidas fontes de referência…”

“(…) uma autora que traz e sabe exibir a força de uma construção narrativa já em estágio de maturação e com o dom de restaurar os sentidos essenciais da existência. O fio condutor desta ficção reclama de quem a lê um mergulho na realidade, ao lado de uma forma de pesquisa que seja o espelho e o arquétipo do movimento social e histórico. Neste caso, a romancista invade vários campos. Ela movimenta a sua objectiva no campo da literatura, escrita e oral, no campo dos arquivistas, dos documentalistas, dos genealogistas, dos ambientalistas, dos geógrafos, dos jornalistas e dos historiadores…”

“(…) dimensão alegórica que se instaura para muito além de tudo o que o enredo documenta. A parte sub-reptícia do romance é dedicada a essa forma madura de reconstrução e ancoragem das intenções da autora”.

O livro que mais gostaste de escrever e porquê

Actualmente estou na finalização de uma nova obra e é este o livro que, até então, mais gostei de escrever. Um livro sobre mulheres, mistério, misticismo, poder, judaísmo, maçonaria e, claro… Cabo Verde. No entanto, o “Família Jardim – O Segredo” ofereceu-me uma enorme realização pessoal (e profissional, a qual não estava a prever), com uma investigação de treze anos e o desvendar de segredos, histórias e não coincidências que até a mim me surpreenderam.

O que nos espera no futuro

A investigação é componente fundamental e motivadora da minha vida e, como tal, o passado sempre exerceu um grande fascínio sobre a minha pessoa. Nas minhas obras procuro que o passado não entre nos rios do esquecimento e permita o delinear de um futuro mais sólido. Quando conseguimos entender o passado tiramos enormes lições de vida para o presente e damos força ao futuro. O passado está sempre presente; digo até ainda mais, por vezes o presente é um passado que tem que ser aprimorado para que o futuro evolua.

No futuro continuarei a escrever com base numa forte componente investigacional, temas que tenham subjacente o mistério e a figura da Mulher como ser poderoso e fundamental na história a ser escrita.

Planeio também a publicação de um livro de poesia.

Aproveito para partilhar um poema que, em tempos, sendo o meu tributo a todas as Mulheres e, em especial, às Mulheres corajosas, lutadoras e empreendedoras que deixam as suas terras de nascimento, atravessando fronteiras e rumando ao desconhecido, em busca da realização de sonhos e/ou de um futuro mais promissor…

MULHER

Sobre o rochedo

Olhou para o mar…

Quem sou? Ficou a pensar…

Não posso ter medo.

Sol, Lua e Terra em sintonia

Anunciaram as marés vivas

E com a protecção das divas

Aceitou sem ironia.

Sei que tenho braços,

Mas não me posso mexer.

Aqui vou permanecer

E colocar-te no meu regaço.

As fortes ondas do mar,

A minha raiz te sustentará,

A minha luta pacífica te ajudará.

Missão de amar, gerar, ensinar.

Quem sou eu, afinal?

Uma lágrima, uma gota, a maresia?

Sorrisos, sorrisos de alegria.

Sei que sou emocional

Quem és tu, afinal?

Então, a árvore falou:

És a Mulher que eu sou.

 

Onde podemos acompanhar a Sónia Jardim

Página do livro “Família Jardim – O Segredo”

Página do livro “As Aventuras de Cety na Ilha de Santo Antão”

Contato de Sónia Jardim: crislelah@gmail.com