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A Praia de Manhattan

JENNIFER EGAN
Tributo à tradição dos grandes romances americanos, o novo livro da vencedora do Prêmio Pulitzer acompanha Anna Kerrigan e Dexter Styles num universo noir povoado por gângsteres, mergulhadores e banqueiros durante os tempestuosos anos 1940.

A Praia de Manhattan

SINOPSE

Depois de A Visita do Brutamontes, Jennifer Egan regressa com um emocionante romance histórico que tem a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial em pano de fundo. Os anos 1940. Anos de guerra e de esforço de guerra nos estaleiros navais de Brooklyn. No mesmo espaço geográfico, os sindicatos e as lutas pela supremacia das várias máfias: italiana, irlandesa, outras. Anna Kerrigan é a figura central do romance. Trabalha nos estaleiros (como centenas de outras raparigas) e deseja ardentemente ser a primeira mulher mergulhadora. Isto num tempo em que a vida das mulheres era ainda muito circunscrita. Mas Anna quer sobretudo saber o que aconteceu ao pai, que desaparecera anos antes, sem deixar rasto. A história começa com Anna pela mão do pai, numa visita a casa do encantador mafioso Dexter Styles, em Manhattan Beach, e é nessa mesma praia que, de certa forma, se encontra o seu princípio e desfecho. Por detrás do incrível bulício das docas e da agitada vida da cidade, a toda a volta, o mar: o mar que tudo liga, e que transforma as personagens, que destrói e dá vida, que esconde e revela. Uma narrativa extremamente cinematográfica que evoca o universo de Há Lodo no Cais – transcendendo-o em fôlego e âmbito.

SOBRE JENNIFER EGAN

Resultado de imagem para Jennifer EganJennifer Egan é autora de vários romances. A sua escrita sempre foi elogiada e reconhecida pelos mais diversos quadrantes da crítica literária e pelos leitores em geral. Foi finalista do National Book Award em 2001, e ganhou o prémio Pulitzer em 2011. O seu trabalho não-ficcional é publicado com frequência na New York Times Magazine. Vive com a família em Brooklyn.

 

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UMA LEITORA COMUM –  Ouse, ouse… ouse tudo!!

 Ouse, ouse… ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar a sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!
Lou Andreas Salomé

Leio e leio sobre escritoras. Não por ter interesse, como disse Djuna Barnes “num grandioso estilo, na beleza de expressão, no fulgor do engenho e nas personagens”, mas por querer descobrir os mundos mentais nos quais habita cada escritora, os quais a sua obra é testemunho. Descobrir o seu olhar, a sua forma de compreender o mundo e de explicar as coisas.

Na Rússia com Rilke O Bosque da Noite de Djuna Barnes

 

 

 

 

 

Também leio teoria, reflexões, ideias, diários e interpretações, fascina-me o esforço mental que me exige este tipo de leitura e a inteligência que emanam as suas palavras perante os meus olhos bem abertos.

Ler é um privilégio que devia ser um direito, todos as pessoas deviam ter as ferramentas e a possibilidade de desenvolver o seu eu leitor. Poder escavar, dar voltas, atrever-se a dizer, a construir mundos com as suposições que cada pessoa faz das obras que lê.

Diário - 1915-1926 de Virginia Woolf

 

 

 

 

 

 

 

Leio e leio escritoras. Os seus romances, os seus ensaios e a sua poesia… faço-o principalmente para procurar ver se algo se move, se algo se sente, se acontece algo no meu interior.
Em cada leitura “vemos o que está ali para nós. Absorvemos aquilo que permitimos que penetre” escreveu alguém uma vez.

É verdade que muitas vezes não acontece nada mas quando acontece é… Não consigo descrever o prazer que me provoca. Durante dias essa leitura habita em mim com luz própria, acrescentado, transformado-me. E nasce o desejo de partilhar essa luz, esse livro. Sentir o impacto da leitura assim como ler várias vezes a obra, não dá o direito de a explicar a outras leitoras e leitores.

Nem se querer tento explicar um livro, prefiro recriar, inventar, partilhar com outras leitoras a minha leitura (como fazemos no
Clube de Leitura). Um dia li um crítico (não recordo o nome, desculpem) que dizia, ‘reconstruo e organizo os textos numa ordem pessoal que não oculta afinidades’.
Por isso, quando escrevo sobre os livros que leio, os meus textos não são, nem procuraram ser, uma aproximação crítica mas sim afectiva desde quem sou: leitora, livreira, curiosa, ibérica, feminista… As minhas palavras são sempre diferentes, umas vezes mais reflectidas outras mais emotivas, outras mais curiosas…

   

Leio e depois escrevo pelo prazer de fazê-lo, pelo prazer de partilhar o efeito da leitura em mim e o pensamento. Às vezes para fechar um círculo interno e chegar a algum sítio, mesmo não sabendo muito bem qual…

“¿ A dónde llegué? ¿A dónde había que llegar?”.
Gloria Gervitz

 

Texto escrito por:

Um vasto mar de contradições

O livro do clube de leitura de junho não teve unanimidade nas valorizações das leitoras. Tivemos Pandoras que gostaram e outras que não conectaram com Vasto Mar de Sargaços de Jean Rhys.

Jean Rhys e o seu vasto mar de lamentações

Ella Gwendolen Rees (Jean Rhys), nasceu em 1890 na ilha da Dominica, quando ainda era colônia britânica. Filha de um galés e de uma criola descendente de uma família de proprietarios de plantações, viveu a emancipação dos escravos africanos, a desestruturação social e econômica das famílias de origem europeu e os vai-vém do pós-colonialismo. Na sua biografia podemos descobrir uma infância na qual se sentiu abandonada e rejeitada pela mãe, o que a marcou profundamente. Um alcoolismo que nunca superou, vários maridos, os homens sempre estiveram na sua vida como apoio e sustento econômico. A escritora sempre teve uma preocupação pelo dinheiro, pela aparência e pelo reconhecimento literário, que chegou tardiamente com a obra Vasto Mar de Sargaços de Jean Rhys, considerada uma das referências da literatura inglesa do século XX.

Vasto Mar de Sargaços de Jean Rhys foi publicado 1966 e como mencionei supõe o reconhecimento da escritora depois de cinco romances que passaram bastante despercebidos e que a afastaram da cena literária. O livro tem como ponto de partida a personagem Antoinette Cosway, a primeira esposa de Rochester, a enigmática personagem do romance Jane Eyre de Charlotte Brontë. O jogo literário é a partida interessante, a esposa louca que vive encerrada num sótão e que termina provocando um incêndio e suicidando-se, e da qual apenas temos um esboço na obra de Brontë, o que deu liberdade a Rhys para (re)construir o seu passado.

A obra de Rhys está repleta de elementos autobiográficos, a autora constrói uma personagem desgarradora mas pouco profunda, uma protagonista com uma infância onde lhe falta amor mas lhe sobram penúrias e momentos dramáticos que lhe provocam uma constante insegurança e uma persistente sensação de melancolia e solidão. De certa forma é uma personagem oposta a Jane Eyre, que teve uma infância igual ou mais terrível que Antoinette mas que tenta contrariar o seu destino com um carácter animoso e resiliente, Rhys cria em o Vasto Mar de Sargaços, o oposto, uma anti-heroína, uma personagem real, reconhecível mas com a qual nem sempre vamos empatizar, uma personagem na qual podemos reconhecer muito da própria autora, ambas arrastaram uma autodestruição desde a infância.

A falta de autoestima levam a Antoinette a afastar-se de quem lhe pode proporcionar felicidade, a estrutura patriarcal priva-a de todos os seus bens e até do próprio nome. Como uma marioneta, como uma boneca, a jovem sente que não pode controlar o seu destino e deixa-se cair em queda livre até ao inferno. Antoinette sofre o desgarro do que pressupõe viver entre duas culturas, ama a ilha e ao mesmo tempo tem medo da sua própria gente, luta por pertencer a um lugar, e é o facto de ser levada para fora de esse lugar o que por fim a conduz a loucura.

Toda a peripécia vital das personagens parece ser uma metáfora da situação política e social. Por um lado Antoinette e a mãe representam o mundo criolo, por outro o esposo representa o colonizador que querer tirar o maior partido possível da ilha mas que nunca chega a amá-la, temos Cristophine, uma personagem magnífica, a escrava que pouco a pouco, com força e inteligência, vai tomando as rédeas da sua liberdade e o seu futuro. Junto a estas personagens temos os criados, o povo do caribe, também entre dois mundos, ignorantes e poderosos, perpetuam a vingança do seu povo: violentos e presos a magia e ao mistério pouco a pouco vão tomando a possessão da terra.

Há leitoras que destacam neste livro o seu estilo contemporâneo, os jogos estruturais com mudança de narrador, o lirismo com o qual se recria o ambiente, a exuberância, o calor, a beleza da paisagem assim como os estados de ânimo das personagens. Outras leitoras destacam a exposição clara de certos temas e há quem destaca as incoerências da narrativa face a obra que tem como ponto de partida e a pouca clareza da prosa.

Vasto Mar de Sargaços retrata uma época na qual a mulher pertence ao homem (até 1880 legalmente a mulher era considerada um bem que primeiro pertence ao pai e depois ao marido) e que nem sequer tem direito a um nome, uma época na qual os povos colonizados se levantam contra os seus opressores, Rhys escreve uma obra que se por um lado nos parece um argumento a favor da liberdade por outro lado não é mais do que um lamento e um olhar sobre os que sofrem, sobre os que não sabem enfrentar as penalidades da vida, sobre os que não sabem lutar, os que não sabem como fazê-lo ou os que simplesmente nem sequer querem lutar.

E vocês já leram Vasto Mar de Sargaços? O que acharam? Partilhem connosco nos comentários, vamos adorar saber as vossas opiniões.
Foto de Confraria Vermelha Livraria de Mulheres.
Mais detalhes do livro AQUI

Aquilo que lemos

Sermos seres racionais faz-nos ter opinião sobre aquilo que nos rodeia e nos contém mas também nos faz cair na armadilha de acreditar que as opiniões são verdades irrevogáveis. Ter opinião, sermos críticas do mundo que criamos é uma tentativa de nos mantermos lúcidas… mas achar que só há uma forma de fazê-lo é elitista, machista, racista ou tudo ao mesmo tempo.

O interessante da literatura é ler.

No que diz respeito aos livros que lemos e aos que não lemos, é interessante observar o processo de desqualificar certas narrativas e ver como o fazemos muitas vezes sem sequer ter lido a obra. E quando falamos de escritoras ou escritores da diáspora literária esta desqualificação sem conhecimento sobre a obra é bem mais evidente. Mas porque lêem/lemos tão poucas escritoras?

Pode ser por falta de interesse no que têm para nos contar, pode ser por preconceito ou pela simples e invisível razão de nem sequer as considerarem. Lembro-me de ter lido uma vez um artigo que falava sobre Clarice Lispector e dizia “Não soubemos lê-la.”
Há umas semanas, a editora Minotauro (obrigada Minotauro!) recuperou a obra de Judith de Carvalho e um leitor disse-me esta mesma frase sobre ela. Provavelmente vocês já ouviram esta frase fazendo referência a outras escritoras. E é assim, que a não consideração das escritoras passa por ser um lapso, uma incapacidade humana de entender a sua narrativa. “Nasceu muito à frente do seu tempo” também é um argumento usado, mas ninguém nasce à frente do seu tempo, é impossível!
Estes argumentos permitem que de quando em vez, algumas escritoras transitem para o grupo das incomprendidas mas das quais devemos falar bem mesmo sem as ler.
Parece-me algo inútil… O interessante da literatura é ler.

Obras Completas Maria Judite de Carvalho - Volume I Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas de Maria Judite de Carvalho
Já leram Maria Judith de Carvalho? Descobram este livro AQUI

Mas este processo de considerar ou não uma obra, recorda-nos que quem lê, não chega virgem a um texto, a leitura é uma instituição socializada, lemos aquilo que sabemos ler e isso depende em parte daquilo que lemos, das obras desde as quais desenvolvemos as nossas expectativas e aprendemos as nossas estratégias de compreensão. Algures num texto de crítica literatura li que Umberto Eco disse: “O autor do discurso e o descodificador compreende a mesma coisa porque se remetem a um código familiar, um que já conheciam antes de receber a mensagem”. 
Ou seja, há cânones, códigos, modos, temas, linguagens que temos internalizadas e não gostamos de quem não as cumpre, não nos interessa, numa revista que não recordo, desculpem, li: “As possibilidades, as necessidades, as proibições, o possível de ser pensado e o impensável, o possível e o não possível, é o resultado da interiorização desses códigos e práticas… a génesis social dos padrões de percepção, pensamento e acção.”
De forma mais resumida e nas palavras de Harold Bloom: “Aquilo que és, só isso podes ler”.
E assim, escolhemos ler o que lemos e por consequência assim escolhemos o que dever ser canonizado. Mas este processo assim como as opiniões é irrevogável?!!

Eu intuo que não, acho que estes contratos podem ser revogados e ainda bem que assim é, porque o mais interessante da literatura é ler. Vamos criar juntas um olhar alargado da literatura que quebre barreiras e nos deixem olhar para a realidade em todos os sentidos.

Já conhecem o Interior Profundo de iana fontão? Descobram este livro AQUI

Que escritoras alemãs conheces?

Aproveitando a recente tradução e lançamento do livro FORA DE SI da escritora Sasha Marianna Salzmann vou partilhar contigo, um pouquinho de literatura alemã escrita por mulheres.

Começo por mencionar a escritora Sasha Marianna Salzmann, nasceu em Volgogrado em 1985 e cresceu em Moscovo.
Em 1995 emigrou com a sua família para a Alemanha, onde estudou Literatura, Teatro e Comunicação na Universidade de Hildesheim e Escrita Criativa para Palco na Universidade das Artes de Berlim. Publicou poemas e contos enquanto estudante em várias revistas e foi ela própria co-fundadora do jornal Freitex, que editou durante alguns anos. O seu romance Fora de Si foi agora traduzido para português.

Uma das dificuldades em recomendar escritoras alemãs ou influência alemã a pessoas que não dominam o alemão, é que a escrita alemã, e concretamente a produzida por escritoras, não tem encontrado uma acolhida justa no mercado tradução/editorial português.

Basta pensarmos em Sibylle Berg, por exemplo. Alemã naturalizada suíça, a escritora é uma das presenças mais constantes da vida cultural, não apenas por meio dos seus  livros como também pela sua coluna na revista Der Spiegel. É uma das autoras mais mordazes da literatura alemã contemporânea e alcançou quer o sucesso da crítica como do público com o seu primeiro romance, Ein paar Leute suchen das Glück und lachen sich tot (Algumas pessoas procuram a felicidade e morrem de rir, 1997).

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Inge Müller (1925-1966)

Outras escritoras ainda precisam ser vistas pela sua própria luz, e não sob a sombra de um homem. O caso mais gritante é o de Inge Müller (1925-1966), ex-mulher de Heiner Müller, que chegou a escrever com ele as primeiras peças, tendo a sua coautoria apagada em edições subsequentes.

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Herta Müller

As escritoras vivas mais conhecidas hoje serão com certeza as duas vencedoras do Nobel nas últimas décadas: a austríaca Elfriede Jelinek, em 2004, e a romena de nascimento Herta Müller, em 2009. Jelinek ainda é uma figura controversa, mas Müller tem acolhida de estrela por onde quer que passe. São duas das figuras mais fascinantes da literatura em língua alemã nos dias de hoje.

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Aglaja Veteranyi (1962–2002)

Mas há outras autoras interessantíssimas que precisam ser mais conhecidas, tanto na Alemanha como em Portugal. Há figuras de culto, como a também romena de nascimento Aglaja Veteranyi (1962–2002), naturalizada suíça, um dos seus livros mais destacado é Warum das Kind in der Polenta kocht (Porque a criança cozinha na polenta, publicado originalmente em 1999). Ainda na Suíça, mencionaria Mariella Mehr, poeta e romancista nascida em Zurique em 1947, que é do povo ieniche, a terceira maior etnia nómada da Europa. A etnia sofreu perseguições por parte do governo suíço, sendo que a própria autora foi tirada da mãe, ainda bebé, e entregue a várias famílias e institutos. O mesmo ocorreu ao filho dela, que nasceu quando Mehr tinha 18 anos. Essas experiências marcaram profundamente o seu trabalho.

Na Alemanha, muita literatura tem saído da pena de mulheres como Odile Kennel, Monika Rinck, Nora Bossong e Carolin Emcke. Esta última recebeu no ano passado o Prémio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, fazendo um discurso de agradecimento em defesa dos direitos humanos e abordando temas como a homossexualidade e o debate sobre o véu islámico. O discurso teve grande repercussão na Alemanha, ao atacar a tentativa de pseudo religiosos e dogmáticos nacionalistas de difundir uma doutrina de um povo homogéneo, de uma única religião verdadeira, de um único tipo natural de família e de uma nação autêntica.

Pensando em todas as escritoras que produzem em língua alemã criamos a estante Literatura Alemã na nossa livraria online onde podes encontrar obras escritas na língua alemã e que foram traduzidas para português. Caso sejas uma das leitoras, ou leitor, afortunada de dominar o idioma alemão podemos encomendar os teus livros nas edições alemãs.

 

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Descobri que Era Ibérica*

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Desde pequena que não compreendo a vontade de criar uma unidade linguística, cultural e ideológica que dá forma e conteúdo a uma suposta identidade española mas aos 18 anos quando pedi a nacionalidade española, durante a entrevista com o cônsul tomei consciência de que não alentar por essa unidade poderia parecer na melhor das situações uma excentricidade e na pior e mais comum das situações suspeita de terrorismo.

– Porque que querer ter a nacionalidade española?
– Por dois motivos: porque é a nacionalidade da minha mãe e da minha língua materna (no sentido total da expressão), e por isso parte da minha história.  E porque me agrada a ideia de ter a nacionalidade de um território tão plurilíngue. Gostava de aprender mais sobre as outras línguas e culturas.
Franziu os olhos.
– Não és terrorista, pois não?
Encolhi os ombros.
– Não.


Eu apenas tinha (e continuo a ter) curiosidade por conhecer outras formas de ser e estar no mundo e sobre os idiomas como veículos de comunicação primária, assim aos 18 anos, tornei-me luso-española, apesar do que eu queria realmente era ser, era ibérica, como o lince ibérico ou o urso pardo.

Nasci poucos depois (em 1981) daquela España que tentou abolir a diferença e a diversidade, e quando digo pouco depois é mesmo pouco depois: a realidade plurilingue do estado espanhol teve continuação e reafirmação no estatuto de autonomia basco (1979), no estatuto de autonomia galego (1980) e no estatuto de autonomia catalão (1979) nos quais se declara respectivamente que o basco, o galego e o catalão são línguas próprias das suas respectivas autonomias e se indica em simultâneo a co-oficialidade com o español ou castellano.

Sempre me fascinou esta pluralidade linguística que nos leva a um dos exercícios mais interessantes da civilidade: a aceitação da diversidade linguística, ou seja cultural, e o reconhecimento da alteridade.

Esta minha crescente curiosidade por conhecer os discursos que se expressam nas diversas línguas levou-me a explorar os universos literários de escritoras que criam as suas narrativas nestes idiomas e são estes universos que quero partilhar convosco no Curso de conversação de Español (Castellano).

Assim partindo de uma língua que foi usada para unificar linguística, cultural e ideológica e tornar tudo mais aborrecido vamos explorar outros domínios linguísticos, literários e culturais da península e das ilhas tornando tudo mais divertido.


Informação sobre o Curso de conversação de Español (Castellano)

Foto de Confraria Vermelha Livraria de Mulheres.

Para quem é este curso?
Para pessoas curiosas que querem expressar-se em castellano, adquirir mais vocabulário e fluidez, melhorar a pronúncia e entoação e praticar as estruturas necessárias para se desenvolver no dia a dia. Seja para usar no trabalho ou para conversar com os amigos. Assim como conhecer mais sobre as culturas da península ibérica. Outros cursos VER AQUI

A literatura será a ferramenta utilizada para explorar o idioma e colocar em pratica o aprendido. Com atividades de leitura, compreensão oral, vídeos, curtas-metragens ou temas de debate, para que as/os participantes possam expressar as suas ideias utilizando o español como ferramenta de comunicação.

Também vamos explorar o sistema literário do estado espanhol, percorrendo a diversidade linguística e literária desconstruindo um sistema monolíngue.

Datas curso de verão de conversação de español
de 2 a 30 de Julho | 19h | 2h por semana, segundas-feiras.

Grupos de 3 pessoas mínimo/ máximo 6

INSCRIÇÕES
Período promocional de inscrição 
de 18 a 24 de Junho
28€

Período de inscrição simples de 25 a 30 de Junho
Normal: 40€
Sócias de vida: 30€

inscrições e + info: livrariaconfraria@gmail.com
Outros cursos VER AQUI

Sobre a Formadora
Aida Suárez G. Caldas, Diploma Superior da DELE – Nível C2 (Superior) -Instituto Cervantes, Madrid – España, e Certificado de Aptidão de Formador (CAP). Ao longo do percurso profissional leccionou Cursos de Espanhol no Instituto Unicenter/Joviform – Consultoria Empresarial, Lda e no Instituto Ibérico de Línguas.

nota

*o título deste texto é um piscar de olho ao livro
Descobri que Era Europeia de Natália Correia
VER LIVRO

 

Na livraria Online da Confraria também podes encontrar uma estante dedicada a esta pluralidade linguística e literária para deixares livre a tua curiosidade.

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Phillis Wheatley e o reconhecimento da existência de uma literatura legitimamente Afro-americana.

Andamos a reorganizar as estantes da livraria online e entre arrumações nascem estantes como a de literatura de expressividade Afro-americana.

A estante de Literatura Afro-americana nasce da inspiração que nos deixou a poeta Phillis Wheatley (1753-1784). A primeira mulher afro-americana a publicar um livro e conquistar reputação internacional como escritora.

Mas deixem-me começar por escrever sobre Lucy Terry.
Lucy Terry é autora da obra mais antiga conhecida da literatura Afro-americana, um poema com o nome de “Bars Fight”.  Terry escreveu este poema em 1746, após um ataque dos índios locais sobre a cidade de Deefield, no Massachusetts,  sendo escravizada à época da invasão.

O poema foi publicado pela primeira vez em 1854, com um dístico (estrofe em duas linhas rimadas).

Anos depois encontramos a poetisa Phillis Wheatley (1753-1784) que publicou a obra “Poems on Various Subjects – Poemas sobre Vários Assuntos” no ano de 1773, três anos antes da declaração da Independência dos Estados Unidos.  Ela não foi apenas a primeira Afro-americana a publicar um livro, mas também a primeira a conquistar uma reputação internacional como escritora.

Poems On Various Subjects Religious And Moral de Phillis Wheatley

Nasceu no Senegal, África, foi capturada e vendida ao sistema escravagista com a idade de sete anos.  Levada para a América do Norte para ser propriedade de um mercador da cidade de Boston.  Ao atingir a idade de 16 anos,  já possuía o domínio integral da língua inglesa.

A escrita de Phillis Wheatley era elogiada por muitas figuras públicas da Revolução Americana, incluindo George Washington, que lhe agradeceu um poema escrito em homenagem a ele. Algumas pessoas da elite americana desacraditavam o facto de uma mulher afrodescendente ser capaz de produzir poemas tão refinados. A poeta teve que se defender em tribunal para provar que tinha sido ela a escrever a sua obra. Alguns críticos citam a defesa bem sucedida de Phillis Wheatley como o primeiro reconhecimento da existência de uma literatura legitimamente Afro-americana.

Na estante de literatura Afro-americana esperam por vocês uma seleção de livros ansiosos de serem lidos. 

 

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