BOOK TAG: Goodreads

Como já mencionei em partilhas anteriores o nosso Clube de Leitura – As Leitoras de Pandora –  tem um grupo no Goodreads (uma rede social para organizar e levar o registo das nossas leituras). Este ano tracei como meta pessoal,  usar mais o meu perfil e assim organizar o registo das minhas leituras e das não leituras. Para me motivar decidi fazer um book tag Goodreads (não me recordo onde o encontrei) e convido-vos a fazê-lo comigo, partilhando as vossas respostas nos comentários.

1. Qual o último livro que marcaste com “lido” no Goodreads? 
Mr. Fox de Helen Oyeyemi. Adoreeeeeei.

2. Qual o livro ou livros que estás a ler neste momento?
Raparigas Mortas de Selva Almada.. é o livro de fevereiro do clube. Na próxima semana é o nosso encontro e estou curiosa para saber opiniões. Ainda não terminei mas tenho sentimentos (opiniões) encontradas sobre este livro mas vou esperar a terminar para falar dele.

3. Qual foi o último livro que colocaste na lista de leituras pendentes? 
Esse Cabelo de Djaimilia Pereira de Almeida. Contudo, na minha lista de “para ler” do Goodreads coloco todos os livros, os que tenho propósito de ler ou os que achei interessantes mas que ainda não entram no meu plano de leitura.

4. Qual será a tua próxima leitura?
O mais certo será ler o livro do desafio de Março do clube de leitura. Vamos descobrir qual é no dia 22/02.

5. Usas o sistema de estrelas?
Sim. Mas com muita dificuldade, fico sempre indecisa. Diz a lenda que 1 é para livros que não gostamos, 2 para os que não estiveram mal, 3 para os que gostamos, 4 para os que gostamos muito e 5 para o favorito (eu sei que é o meu favorito quando já o li várias vezes ou mesmo que o tempo passe lembro-me de todos e cada um dos detalhes). Mas a lenda das estrelas das pandoras Diana e Carla é muito mais divertida. Venham um dia ao clube e descubram ;)

6. Vais fazer o desafio de leituras de 2018?
Não. Em 2018 fora os livros do clube de leitura não tenho pensado fazer nenhum desafio. Vou caçando uma sugestão daqui outra dali.

7. Tens uma lista de desejos literários?
simmmmmm. Uso as wishlist como pistas para possíveis (auto)presentes e/ou registo de coisas/livros que gosto.

8. Que livro pensas comprar brevemente? 
Women & Power – A Manifesto de Mary Beard. Adoro a Mary Beard.

9. Tens alguma citação favorita?
Behind every successful woman is HERSELF

10. Quem são as tuas autoras favoritas? 
As irmãs Brontë, Jane Austen, Mary Shelly, Maria Teresa Horta, Elvira Lindo (mas pode mudar, tantos livros por ler e autoras por descobrir!).

11. Fazes parte de algum grupo?
As Leitoras de Pandora entrar

12. Qual foi o último livro ao que lhe atribuiste 5 estrelas? e uma estrela?
Das leituras que registei no goodreads só dei 5 estrelas a dois livros, Jane Eyre e A Virginia le gustaba Vita. Nunca dei 1 estrela. Espero acrescentar mais algum título aos meus favoritos este ano.

Texto escrito

Anúncios

Penelope Fitzgerald

Inglaterra, 1916-2000

Penelope Fitzgerald

Imagem relacionada

Se leram o post anterior, já sabem que uma das escritoras do mês de Fevereiro da nossa Comunidade é Penelope Fitzgerald. O que procuramos com esta comunidade é contribuir para a divulgação da literatura escrita por mulheres e fazer chegar um livro todos os meses a vossa casa.

O segundo objetivo proposto é ir escrevendo textos relacionados com as escritoras, sugeridas cada mês  e ir publicando-os no blog (vocês também podem escrever e enviar os vossos textos para livrariaconfraria@gmail.com).  Assim todas/os juntas/os podemos ir conhecendo a obra de uma escritora e divulgar a literatura escrita por mulheres.

Neste momento a única tradução que temos no nosso país da obra de Penelope Fitzgerald é A livraria (ed. PT, Clube do Autor, 2016).

Comprar o livro»»

Penelope Fitzgerald  uma escritora que defende a bondade do coração e as ações com bons propósitos mas sem ingenuidade.

Penelope Fitzgerald foi uma escritora tardia. Apesar de nascer 1916 só publicou o seu primeiro livro em 1975 e o seu primeiro romance em 1977. A sua etapa como romancista está marcada, claramente, por dois tipos de livros: aqueles nos quais aparecem vivências da sua própria vida e aqueles nos quais decide fazer viajar a/o leitor/a a outras épocas e lugares. A livraria (1978) pertence ao primeiro grupo, inspirada na época em que própria, trabalhou numa livraria. Nos anos 50, Fitzgerald trabalhou em part-time na livraria Sole Bay Bookshop. Descobriu o difícil que podia ser vender livros numa rural Suffolk, mas recolheu preciosas lembranças como as tardes de chuva nas quais os vizinhos se refugiavam na livraria para conversar, apesar da maioria das vezes não adquirirem nenhum livro.

O pequeno milagro.

Em A livraria, Fitzgerald põe sobre a mesa um dos temas que encontramos na sua obra: a realidade de que com boas intenções às vezes não é suficiente. Estamos perante uma autora e uma obra, que defende a bondade do coração e as ações com bons propósitos mas sem ingenuidade. Como contraponto, encontramos personagens mesquinhas que colocam ainda mais em jogo a qualidade humana dos seus antagónicos, heróis e heroínas em pequena escala com firmes valores morais que não renunciam aos seus ideais facilmente.

Apesar de não encontrarmos o típico romance  de humor inglês, encontramos pinceladas humorísticas que procuram a cumplicidade de quem lê. O estilo de Fitzgerald é simples, sem grandes artifícios e sem uma prosa espetacular mas que cativa e envolve a quem lê de uma forma magica: constrói uma história reflexo da época em que se desenvolve; um relato sobre as pequenas comunidades rurais e a sua fechada estrutura após o fim da 2ª Guerra Mundial. A escolha de uma protagonista viúva e sem filhos também não é ao acaso. Desta maneira, Florence é dona completa da sua vida e das suas decisões, coisa que seria impossível com uma família que dependesse dela.

Nada na livraria de Florence  é normal, a começar pelo seu ajudante Christine de 10 anos até às compras que realiza com cara ao futuro. Talvez o momento mais controvertido seja quando Florence compra 200 exemplares de Lolita de Nabikov e recebe queixas absurdas de como que os visitantes ocupam todo o passeio (para ver a montra).

Florence, a personagem que personifica a força e a coragem.

A personagem de Florence podia (e vai estar) no nosso Arquivo de Personagens. Florence Green, toma uma decisão valente, abrir uma livraria num lugar pouco apropriado intelectualmente. Não por falta de cultura mas por falta de formação no que diz respeito ao de como uma livraria pode contribuir para uma comunidade. Florence é uma personagem com força e coragem.

Brevemente vamos poder desfrutar de uma adaptação cinematográfica através dos olhos da realizadora Isabel Coixet com Emily Mortimer no papel de Florence Green. Acho que vai ser uma boa adaptação, Isabel Coixet é uma cineasta de histórias quotidianas nas quais as personagens são mais importantes do que a própria narrativa tal como Penelope Fitzgerald . Veremos…

Mas primeiro vamos ler o livro!

Gostas de ler? Raquel Felizes

Resultado de imagem para leer

A Raquel faz parte da nossa comunidade e do clube de leitura e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler? 

A Fada Oriana de Sophia de Mello Breyner e O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry. 

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? 

Existem cinco mas ainda mantenho a esperança de voltar a eles e de os ler até ao fim: Guerra e Paz do Tolstoi, A Divina Comédia de Dante, O livro do desassossego de Fernando Pessoa, Dentro do Segredo do José Luís Peixoto e Butcher’s Crossing do Jonh Williams.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste? 

Existem vários. Vou dividir a resposta em duas categorias: “recentes ou relativamente recentes” e “clássicos ou autores incontornáveis”.

Então, na categoria de “recentes ou relativamente recentes” temos:

  • Ana de Amsterdam de Ana Cássia Rebelo
  • Olhando o sofrimento dos outros de Susan Sontag
  • Um estado selvagem de Roxane Gay;
  • Não posso nem quero de Lydia Davis.

Na categoria de “clássicos ou autores incontornáveis”:

  • Ulisses de James Joyce;
  • Odisseia de Homero;
  • O Monte dos Vendavais de Emily Brontë;
  • As pessoas felizes da Agustina Bessa Luís;
  • O som e a fúria de William Faulkner;
  • O sangue dos outros e O segundo sexo de Simone de Beauvoir;
  • Cem anos de solidão e Amor em tempos de cólera de Gabriel Garcia Marques;
  • O ano da morte de Ricardo Reis e Jangada de Pedra de José Saramago;
  • A condição humana de Hannah Arendt;
  • História da sexualidade de Foucault.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer? 

Anna Karenina de Tolstoi.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias? 

Na infância, quando mudei de casa dos subúrbios de Gaia para o centro, transformei-me numa frequentadora assídua da Biblioteca Municipal. Esse ritual permitia-me o privilégio de trazer para casa “livros com bolinha vermelha” (aqueles que, devido à falta de exemplares, supostamente, não deveriam sair da biblioteca). Dessa fase ficam-me as bandas desenhadas todas da Mafalda do Quino, os diversos contos da Sophia de Mello Breyner, da Ilse Losa, da Maria Alberta Menéres e da Matilde Rosa Araújo (não conseguia ler livros muito robustos mas adorava ler). Os mais robustos nesta fase eram da Alice Vieira. 

Indica alguns dos teus livros favoritos?

Stoner de John Williams; Terapia de David Lodge;  O Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, Crime e Castigo de Dostoiévski; Anna Karenine de Tolstoi, a tetralogia de Elena Ferrante e a Síbila de Agustina Bessa Luís.

Em que línguas gostas de ler? 

Português, inglês e castelhano.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Vários. Em casa, primeiro. No dia a dia, à noite, na cama, acendo a luz da mesinha de cabeceira e leio o livro que lá está ou leio no tablet (o que estiver no ibooks) às escuras para não incomodar o parceiro do lado. Este ritual, normalmente, funciona como sedativo e é frequente adormecer de óculos, com o livro/tablet ao lado ou em cima da barriga, ou arrumados pelo parceiro do lado numa das suas viagens noturnas. Durante o dia (aos fins de semana ou em período de férias) tenho três cantinhos de leitura diferentes consoante a disposição solar. Fora de casa, saio sempre com um livro, ou com a aplicação ibooks para aproveitar bem o meu tempo nos tempos mortos que surgem enquanto transporto filhos de um lado para o outro mas, normalmente, enquanto espero ponho-me a conversa com alguém e lá se vai a iniciativa. Sou eficaz nas minhas tentativas quando leio no carro durante viagens longas em autoestrada. Adoro ler num parque, na praia ou numa esplanada. 

Tens conta no goodreads

Não nunca tinha ouvido falar, mas fiquei curiosa e vou pesquisar!

Que livro estás a ler? 

Sempre fui leitora de ler um livro de cada vez mas, agora, como tenho sempre no encalço o livro do mês d‘As Leitoras de Pandora, tenho vários ao mesmo tempo, pois nem sempre acompanho o ritmo. Estou a ler Emma da Jane Austen, The bell jarr de Sylvia Plath e Os filhos da Rua Arbat  de Anatoli Rybakov.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas. 

Escolhi apenas vivas: 

  1. Agustina Bessa Luís,
  2. Elena Ferrante,
  3. Isabel Allende,
  4. Maruja Torres,
  5. Alice Munro,
  6. Maria Velho da Costa,
  7. Maria Teresa Horta,
  8. Alice Vieira,
  9. Lídia Jorge,
  10. Inês Pedrosa. 

Queres partilhar a nossa ilusão por livros e gostavas de contribuir com o teu grãozinho de areia para que este projeto continue a crescer? Procurar e sugerir novas leituras?

Junta-te a nossa comunidade através da assinatura ou com o cartão de sócia de vida 😉.

Um livro, todos os meses, em tua casa.

A ideia de criar uma Assinatura Confraria – Um livro, todos os meses, em tua casa – surgiu em Outubro de 2017, mais concretamente no dia 5 de Outubro quando foi outorgado o Prémio Nobel da Literatura, e novamente, aconteceu o que já é habitual: nem Murakami nem uma mulher ganharam o prémio.

Nesta ocasião havia duas escritoras na lista dos 8 finalistas, Margaret AtwoodJoyce Carol Oates, mas a Academia escolheu o escritor Kazuo Ishiguro.

Mais uma vez a distância entre os géneros na lista de premiados aumentava. Dos 110 Nobel da Literatura, só 14 são mulheres.

Números tão difíceis como estes, esclarecem a necessidade de reeinvindicar as obras escritas por mulheres e por isso surge no início deste ano a Assinatura Confraria, para descobrir e ler mais escritoras. Um livro, todos os meses, em tua casa.

Um livro, todos os meses, em tua casa.

Em Janeiro foram várias as leitoras e leitores que subscreveram esta assinatura e se juntaram à nossa comunidade leitora. Os primeiros livros foram enviados na primeira semana de Fevereiro e para começar a nossa descoberta e visibilização de escritoras este mês propusemos a leitura de obras das escritoras Rebecca West, Andréa del Fuego, Samanta Schweblin e Penelope Fitzgerald.

Resultado de imagem para rebecca west

Rebecca West, DBE, pseudônimo de Cecily (ou Cicily) Isabel Fairfield (21 de dezembro de 1892, Londres, Inglaterra – 15 de março de 1983) foi uma escritora inglesa. Autora do livro “Black Lamb and Grey Falcon” (publicado em 1941) em que faz o relato de uma viagem de um mês e meio, em 1937, pela Croácia, Dalmácia, Bósnia, Herzegovina, Sérvia, Montenegro e Kosovo. A obra é considerada por muitos uma das mais magníficas evocações do mundo bizantino e otomano antes da II Guerra Mundial.

Resultado de imagem para Andrea del FuegoAndréa del Fuego nasceu em São Paulo, em 1975. É autora da trilogia de contos Minto enquanto posso (2004), Nego tudo (2005) e Engano Seu (2007). Escreveu também os contos juvenis Sociedade da Caveira de Cristal (2008) e Quase Caio (2008). Integra, entre outras, as antologias Os cem menores contos brasileiros do século e 30 mulheres estão fazendo a nova literatura brasileira. Em 2011, foi finalista dos Prémios São Paulo de Literatura e Jabuti (na categoria romance) e venceu o Prémio Literário José Saramago.

Imagem relacionadaSamanta Schweblin (Buenos Aires – 1978) é considerada uma das vozes mais prometedoras da sua geração. O seu talento, originalidade e mestria técnica na arte do conto granjearam-lhe rasgados elogios por parte da crítica, que não hesita em colocar a sua escrita na descendência directa dos grandes contistas argentinos do séc. XX, aclamando-a como a legítima herdeira de Borges, Cortázar e Bioy Casares.

Resultado de imagem para Penelope FitzgeraldPenelope Fitzgerald é uma das mais notáveis vozes da ficção britânica. Depois de se licenciar em Somerville College, Oxford, trabalhou na BBC e durante a guerra foi editora de um jornal literário, geriu uma livraria e ensinou em várias escolas, incluindo uma de teatro. Autora de nove romances, três dos quais – A LivrariaThe Beginning of Spring e The Gate of Angels -estiveram na shortlist para o Booker Prize, ganhando o prémio em 1979 com Offshore. O seu último livro, A Flor Azul, em 1995 foi eleito como o Livro do Ano.

Já leram alguma obra das escritoras citas?
Agora ficamos aguardar  o feedback da nossa comunidade leitora. Aqui nos comentários. 🤓📚

Texto escrito

Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman

Arquivo de Personagens Femininas

Personagem:  Tina
Livro: Diário de Uma Dona de Casa Desesperada
Autora:  Sue Kaufman

Romances sobre perdedores temos as dúzias; na literatura norteamericana até podíamos considerar que constiui um subgénero em si mesmo. Mas o que não abundam são as histórias sobre perdedoras, sobre mulheres que afrontam a sua existência como um inevitável caminho de renúncia e obstinação. Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman, é uma dessas histórias, por isso a resgato do limbo literário para quem quiser descobrir uma escritora e um livro com uma narrativa sólida e personagens complexas.

Tina é uma dona de casa bem posicionada, casada com um advogado de prestígio, duas filhas e um cão. Uma vida, aparentemente idílica, mas que na verdade é um poço de obsessões, terrores e problemas, Tina arrasta uma neurose alguns anos e, é incapaz de fazer frente as suas obrigações sem cair na depressão. Um romance estruturado em forma de diário no qual Tina escreve, em segredo, para tentar acalmar e colocar por escrito os seus pensamentos. Sue Kaufman acerta em pleno, a voz da narradora alcança uma intimidade louvável: não vos nego que o formato diário pessoal é por vezes artificial (em certas passagens a narrativa é tradicional e a primeira pessoa não é tão credivél) mas no seu todo o resultado deste romance é de uma intimidade e proximidade notáveis.

Sue Kaufman, romancista americana nasceu a 7 de Agosto de 1926 em Long Isaland, Nova Iorque. Diplomada pela Vassar College em 1947, começou a trabalhar como assistente editorial. Faleceu a 25 de Junho de 1977, em Nova Iorque. Em sua homenagem anualmente é atribuído o prémio literário Sue Kaufman pela Academia Americana de Artes e Letras.

A intimidade e aproximidade da narrativa é conseguida através da profundidade com que é criada a personagem de Tina. Kaufman retrata uma mulher frágil, doentiamente débil, mas com uma resolução que vai crescendo a cada revés emocional que vivencia.  Diário de Uma Dona de Casa Desesperada mostra-nos o solitária que pode ser a vida de aparência feliz: como os problemas que se vivem no dia a dia se podem transformar em pesadelos dos quais não se consegue sair, até a sua cadela a consegue transtornar ao ponto de perder o controlo de si mesma. Isto pode fazer-nos pensar que Tina Balser é uma percusora de Bridget Jones mas longe disso: a protagonista é uma mulher descontente e de personalidade neurótica mas Kaufman não constrói uma personagem amável com a qual empatizamos ou com a qual podemos rir; Tina é uma mulher inteligente que, apesar da sua fragilidade psicológica, é capaz de transformar a sua vida num espectáculo para se tornar respeitável.

A angustia da protagonista é demasiado próxima como para não nos identificarmos com aquilo que lhe sucede. A normalidade de uma vida programada pelos outros, a pressão que impõe uma sociedade que vive da imagem que se projeta, o desconsolo de não sermos donas/os das nossas próprias existências… tudo é demasiado familiar e são características que se enraízam com o passar do tempo. O golpe final da autora está no mostrar a dualidade de Tina: vítima e carrasca, débil e autoritária. Não é uma mulher resignada que se rende perante o marido egocêntrico nem é uma heroína que faz frente a todos os contratempos que lhe surgem: é, simplesmente, um ser humano dividido entre as suas debilidades e as suas vilezas, uma pessoa tão capaz de sofrer como de ferir. Razão pela qual, esta personagem é tão real e complexa, mesmo que a narrativa esteja condicionada pela sua parcialidade.

Diário de Uma Dona de Casa Desesperada é um romance complexo e sugerente, com momentos divertido e de uma profundida subtil. Como disse no início é um livro que nos fala de uma perdedora mas Sue Kaufman oferece-nos um outro conceito de perdedora, vale a pena descobri-lo!

 

Diário de Uma Dona de Casa Desesperada
comprar»»

Este livro foi publicado originalmente em 1967 e é considerado um dos romances fundacionais e mais representativos da nova consciência feminina a meados do século XX nos Estados Unidos. Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman é um divertido e inteligente relato sobre o sentimento de angustia ao que todas as pessoas nos enfentamos alguma vez na vida.

A Capa do livro é muito importante

Quando vi a edição portuguesa confesso que a capa não me seduziu e fiquei com dúvidas de ler ou não ler… até que a ficha caiu! Não posso julgar o livro pela capa…

Tinha lido sobre Sue Kaufman e queria conhecer esta escritora por isso afastei o julgamento do livro pela capa e mergulhei na leitura. Não me decepcionou!

Resultado de imagem para 9781560256878Resultado de imagem para Diario de un ama de casa desquiciadaResultado de imagem para Sue Kaufman

 

 

 

 

 

 

 Queres colaborar no Arquivo de Personagens Femininas?

Texto escrito

Gostas de ler? Catarina Silva.

 

A Catarina faz parte da nossa comunidade e do clube de leitura e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler?

Sim! Kafka à Beira Mar, de Haruki Murakami.

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Penso que não. Geralmente se não atinar com um livro à primeira quer dizer que não está destinado.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste?

A série Earthsea, da Ursula K. Le Guin.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer?

A Little Life, de Hanya Yanagihara.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias?

Sim! Felizmente a minha professora primária incentivava imenso à leitura e foi um hábito que ficou desde ai! Lembro-me perfeitamente de ler O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry e O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos.

Indica alguns dos teus livros favoritos?

As Intermitências da Morte, de José Saramago. Frankenstein, de Mary Shelley. Kafka à Beira Mar, de Haruki Murakami. The Book Thief, de Markus Zuzak. Nimona, de Noelle Stevenson. The Virgin Suicides, de Jeffrey Eugenides.

Em que línguas gostas de ler?

Português e Inglês.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Nunca comer enquanto leio porque tirar migalhas de entre as páginas de um livro é muito complicado.

Tens conta no goodreads?

Sim! (Podes visitar a Catarina aqui»»)

Que livro estás a ler?

Northern Lights, de Philip Pullman.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas?

  1. Libba Bray
  2. Leigh Bardugo
  3. Sylvia Plath
  4. Margaret Atwood
  5. Kelly Sue DeConnick
  6. Mary Shelley
  7. Virginia Woolf
  8. Charlotte Brontë
  9. Victoria Schwab
  10. G. Willow Wilson

Queres partilhar a nossa ilusão e gostavas de contribuir com o teu grãozinho de areia para que este projeto continue a crescer?

Procurar e sugerir novas leituras, junta-te a nossa comunidade através da assinatura ou com o cartão de sócia de vida 😉.

 

Gostas de ler? Mariana Neves.

A Mariana faz parte da nossa comunidade e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler?

Para além do Principezinho  de Antoine de Saint-Exupéry que releio todos os anos, o Planalto e a Estepe do Pepetela.

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? 

Todos os do António Lobo Antunes.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste?

Muitos livros na lista à espera de serem lidos! Pergunta muito dificil para ser respondida.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer? 

Diário de Anne Frank e Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias? 

Sim! “Cavaleiro da Dinamarca”, “O Fio da Ariana” ambos da Sophia de Mello Breyner, e “Um lugar mágico ou como salvar a natureza” da Susanna Tamaro.

Indica alguns dos teus livros favoritos?

Filhos da droga de Christiane F., Orgulho e Preconceito de Jane Austen e o Diário de Anne Frank.

Em que línguas gostas de ler?

Português.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Tento ter.

Tens conta no goodreads?

Sim. (Podem visitar a Mariana aqui»»)

Que livro estás a ler? 

Dois livros técnicos sobre autismo, para já.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas?

  1. Susanna Tamaro
  2. Jane Austen
  3. Sophia de Mello Breyner
  4. Torey Hayden
  5. Dorothy Koomson
  6. Bea Johnson
  7. Simone de Beauvoir, não são 10, mas são as que queria :)

Queres partilhar a nossa ilusão e gostavas de contribuir com o teu grãozinho de areia para que este projeto continue a crescer?

Procurar e sugerir novas leituras, junta-te a nossa comunidade através da assinatura ou com o cartão de sócia de vida 😉.