UMA LEITORA COMUM –  Ouse, ouse… ouse tudo!!

 Ouse, ouse… ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar a sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!
Lou Andreas Salomé

Leio e leio sobre escritoras. Não por ter interesse, como disse Djuna Barnes “num grandioso estilo, na beleza de expressão, no fulgor do engenho e nas personagens”, mas por querer descobrir os mundos mentais nos quais habita cada escritora, os quais a sua obra é testemunho. Descobrir o seu olhar, a sua forma de compreender o mundo e de explicar as coisas.

Na Rússia com Rilke O Bosque da Noite de Djuna Barnes

 

 

 

 

 

Também leio teoria, reflexões, ideias, diários e interpretações, fascina-me o esforço mental que me exige este tipo de leitura e a inteligência que emanam as suas palavras perante os meus olhos bem abertos.

Ler é um privilégio que devia ser um direito, todos as pessoas deviam ter as ferramentas e a possibilidade de desenvolver o seu eu leitor. Poder escavar, dar voltas, atrever-se a dizer, a construir mundos com as suposições que cada pessoa faz das obras que lê.

Diário - 1915-1926 de Virginia Woolf

 

 

 

 

 

 

 

Leio e leio escritoras. Os seus romances, os seus ensaios e a sua poesia… faço-o principalmente para procurar ver se algo se move, se algo se sente, se acontece algo no meu interior.
Em cada leitura “vemos o que está ali para nós. Absorvemos aquilo que permitimos que penetre” escreveu alguém uma vez.

É verdade que muitas vezes não acontece nada mas quando acontece é… Não consigo descrever o prazer que me provoca. Durante dias essa leitura habita em mim com luz própria, acrescentado, transformado-me. E nasce o desejo de partilhar essa luz, esse livro. Sentir o impacto da leitura assim como ler várias vezes a obra, não dá o direito de a explicar a outras leitoras e leitores.

Nem se querer tento explicar um livro, prefiro recriar, inventar, partilhar com outras leitoras a minha leitura (como fazemos no
Clube de Leitura). Um dia li um crítico (não recordo o nome, desculpem) que dizia, ‘reconstruo e organizo os textos numa ordem pessoal que não oculta afinidades’.
Por isso, quando escrevo sobre os livros que leio, os meus textos não são, nem procuraram ser, uma aproximação crítica mas sim afectiva desde quem sou: leitora, livreira, curiosa, ibérica, feminista… As minhas palavras são sempre diferentes, umas vezes mais reflectidas outras mais emotivas, outras mais curiosas…

   

Leio e depois escrevo pelo prazer de fazê-lo, pelo prazer de partilhar o efeito da leitura em mim e o pensamento. Às vezes para fechar um círculo interno e chegar a algum sítio, mesmo não sabendo muito bem qual…

“¿ A dónde llegué? ¿A dónde había que llegar?”.
Gloria Gervitz

 

Texto escrito por:

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