CICLO “25 DE ABRIL, 25 MULHERES, 25 LIVROS” (Dia #2)

Sou uma princesa do pior e tu?

Quando era pequena aborrecia-me imenso, tal como a Mérida,  com as histórias tradicionais de princesas (só para situar, cresci na década de 80) . Mas a minha mãe, que tinha algo de bruxa e algo de fada (por isso fazia magia como ninguém), acabava com ao meu tédio contando-me histórias com o “pano de cozinha mágico” (era um pano de cozinha com vocação de tapete de histórias).

Naquele pano de cozinha, que tão bem guardo na memória do coração, habitavam “princesas” que voavam em dragões, que viajavam em submarinos e davam a volta ao mundo num balão.

A minha mãe sabia das coisas! :)

Eu adorava essas princesas que habitavam o pano de cozinha da minha mãe, elas como eu, adoravam vestidos cor-de-rosa (costurados pelas avós), esmurrar os joelhos a andar de skate e a descer rampas, na máxima velocidade que as pernas permitissem, em bicicleta.

Elas, como eu, ficavam danadas da vida quando lhes diziam que eram umas “Princesas do Pior” só porque adoravam brincar aos berlindes (eu ainda guardo uma pequena colecção) e ao pião (o meu era todo colorido)… Também detestavam, tanto quanto eu, esse olhar moralista sobre elas, por terem o lindo vestido sujo de brincar nas pistas espectaculares de carros. “É tão Maria rapaz!”, diziam como se não estivéssemos a ouvir!

Nem elas, nem eu éramos Marias rapazes. O que isso de ser Maria rapaz?!!!

As Marias rapazes e os Mariquinhas (a versão de insulto para rapazes que não são pestes e que também gostam de brincar com bonecas) não existem!!!!!

Caso fossemos (ou sejamos) alguma coisa, as minhas princesas e eu, seriamos Marias Capazes como diz a canção da Capicua (não sei vocês mas eu a d o r o a Capicua!) ou meninas aventureiras, que é o que minha mãe me dizia (e diz) para me reconfortar das “bocas” despropositadas dos adultos cinzentos (leia-se: adultos sem noção).

Já deu para reparar que eu não gosto nada, mesmo nada, de o adjectivo (des)qualificativo Maria rapaz!?!?!

Mas gosto muito, muito do Livro do Dia de hoje porque narra a história de uma princesa como as princesas da cozinha (era lá que se cozinhavam os meus contos favoritos) da minha infância. Só não gosto muito do título, apesar de perceber a ironia do mesmo: “Uma princesa do Pior”. Gostava mais que o tivessem traduzido como na versão espanhola: “Uma princesa Rebelde”.

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Foto: Nuno Fangueiro

Somos Marias rapazes, Princesas rebeldes ou Princesas do pior, como a Pipi das Meias Altas, a Ana dos Cabelos Ruivos, a Jo das Mulherzinhas ou a Maria (personagem do livro de hoje) todas as meninas e todas mulheres que queremos viver aventuras como o Tom Sawyer ou ser as capitãs de submarino ou dar a volta ao mundo sem Willy Fog…

Queremos e fazemos, e por fazer somos Marias rapazes do pior.  Pois então, digo e repito (todas as vezes que for necessário) o que nós somos ( se é que temos de ser algo) é  c a p a z e s.

Capazes, como a Maria do livro “Uma Princesa do Pior”, de viver a vida que queremos para nós e não a que nos querem impor. A Maria, como eu (e como muitas de vocês), veste vestidos rosas, roxos, amarelos, verdes e de todas as cores mas também esmurra os joelhos vivendo as 1001 aventuras que a vida tem para ela.

A Maria é a princesa que eu queria encontrar 
quando de pequena folheava os livros de contos de fadas. 

Por isso, este conto não é apenas para as pequenas Confreiras que estão fartas das princesas normais. Ou para as que estão cansadas das histórias tradicionais das princesas que encontram o seu príncipe ou para as que procuram uma princesa com mais “sal e pimenta”.

É também para as Confreiras adultas, que como eu, sentiram falta de mais Marias Capazes nos contos da sua infância e que sabiam que as Marias rapazes são ainda mais mitológicas que os unicórnios.

O que me dizem… vamos esquecer, pequenas e adultas confreiras, a preocupação por ser a mais bonita do baile (pode ler-se: da escola, do grupo de amigas, do ginásio…)? Ou de ter o maior número de vestidos (ou de sapatos)? Ou de ter um casamento de contos de fadas e ir aos grandes bailes?

Com a Princesa Maria só há aventura, malandragem 
e amig@s estranh@s. Ela é mesmo uma princesa do pior! 
Já estas com vontade de ler o livro? 

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Afinal, quem é que não quer ter um dragão que voa (eu também gostava de ter um macaco como o da Pipi ou um cavalo as pintas) como companheiro de aventuras?!

A Princesa Maria, tem ideias muito próprias sobre o que quer na vida e sobre como o obter. Sabe também que quer viver feliz para sempre e que não é um príncipe de nariz empinado que a vai impedir!

Numa linguagem feminista mas muito encantada o livro “Uma Princesa do Pior”de Sara Ogilvie e ilustrado por Anna Kemp vai levar-vos a explorar uma ideia diferente dentro de uma história conhecida.

E como diz a poetisa Regina Guimarães no poema-canção dos Clã :

Viva a Maria Rapaz 
E o rapaz que não é peste
Viva a roupa que baralha
O sexo de quem a veste 

Viva todo o arco-íris
E a cor que se mistura
Sete quintas, meias tintas
Viva a fúria e a doçura

E agora vamos ler o livro? :)

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#JUNTASCONTINUAMOSAFAZERACONTECER

Um abraço da vossa livreira vermelha,

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