Uma viagem em si

No passado dia 25 de Março, sexta-feira santa, estivemos à conversa com Ana Luísa Amaral sobre o seu livro Ara.

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A proposta desta conversa foi feita pela Helena Ferreira, doutoranda do programa doutoral em Estudos Culturais em parceria entre a Universidade de Aveiro e a Universidade do Minho e membro da equipa do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da UA. As suas principais áreas de interesse científico incluem: Género e Sexualidades, Estudos dos Media e Direitos Humanos.

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Helena, começou a analisar e a estudar o livro Ara à luz da teoria queer e desafio Ana Luísa Amaral para uma conversa em jeito de entrevista…

Helena, porquê à luz da teoria queer?

“Ara é um livro incomum porque os romances entre duas mulheres são raros. É principalmente, um livro político porque expõe claramente a norma social e todos os preconceitos a que esta induz, abordando a noção de lar, de família e de comunidade que não é a homogénea nem convencional. Por outro lado, desconstrói a identidade de género e exibe um desejo sexual, separado do sexo, do género e da prática sexual. Reflectindo, então, sobre a teoria queer, este estudo pretende demonstrar que este livro pode ser o veículo ideal para ajudar a desconstruir a identidade e a norma de género dos leitores.”

O LIVRO

ARA chega as nossas mãos , como sendo o primeiro romance de Ana Luísa Amaral.

De facto, é o seu primeiro romance mas só para quem não conhece a obra poética ALA

Para quem a conhece, é impossível não ouvir os ecos da poesia da autora em ARA. Ouvimo-los até da própria autora nas primeiras páginas:

“Mas as coisas não giram ao nosso compasso. Eu não sou romancista. Se fosse romancista, dividia-me em nomes de ficção – e disso não sou capaz. A própria ideia de fazer uma história aterroriza-me.”

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ARA é um romance maleável, sem preocupação, sem fronteiras de género ou discurso.

ARA é partir à descoberta sem questionar mas terminando por questionar tudo.

ARA é desordenado, segmentado e revelador.

ARA é uma história em fragmentos, analepses e pausas contemplativas.

ARA é o um amor entre duas pessoas. Entre a narradora e outra pessoa. Entre três quando se junta a leitora/ o leitor.

ARA é uma viagem que começa na infância mas não sabemos onde termina.

ARA é densidade e intensidade.

ARA é impossibilidade.

ARA é narrativa inquieta.

ARA é o altar, a caixa-de-ressonância, o labirinto, o passado, o destino de uma história.

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 “Mas no que aprendi, tu não cabias. Nunca coubemos no que me ensinaram. Nunca me deram matéria verbal para falar de nós – por isso me confundo e falo do que sei há tantos anos.”

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