Gostas de ler? Raquel Felizes

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A Raquel faz parte da nossa comunidade e do clube de leitura e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler? 

A Fada Oriana de Sophia de Mello Breyner e O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry. 

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? 

Existem cinco mas ainda mantenho a esperança de voltar a eles e de os ler até ao fim: Guerra e Paz do Tolstoi, A Divina Comédia de Dante, O livro do desassossego de Fernando Pessoa, Dentro do Segredo do José Luís Peixoto e Butcher’s Crossing do Jonh Williams.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste? 

Existem vários. Vou dividir a resposta em duas categorias: “recentes ou relativamente recentes” e “clássicos ou autores incontornáveis”.

Então, na categoria de “recentes ou relativamente recentes” temos:

  • Ana de Amsterdam de Ana Cássia Rebelo
  • Olhando o sofrimento dos outros de Susan Sontag
  • Um estado selvagem de Roxane Gay;
  • Não posso nem quero de Lydia Davis.

Na categoria de “clássicos ou autores incontornáveis”:

  • Ulisses de James Joyce;
  • Odisseia de Homero;
  • O Monte dos Vendavais de Emily Brontë;
  • As pessoas felizes da Agustina Bessa Luís;
  • O som e a fúria de William Faulkner;
  • O sangue dos outros e O segundo sexo de Simone de Beauvoir;
  • Cem anos de solidão e Amor em tempos de cólera de Gabriel Garcia Marques;
  • O ano da morte de Ricardo Reis e Jangada de Pedra de José Saramago;
  • A condição humana de Hannah Arendt;
  • História da sexualidade de Foucault.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer? 

Anna Karenina de Tolstoi.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias? 

Na infância, quando mudei de casa dos subúrbios de Gaia para o centro, transformei-me numa frequentadora assídua da Biblioteca Municipal. Esse ritual permitia-me o privilégio de trazer para casa “livros com bolinha vermelha” (aqueles que, devido à falta de exemplares, supostamente, não deveriam sair da biblioteca). Dessa fase ficam-me as bandas desenhadas todas da Mafalda do Quino, os diversos contos da Sophia de Mello Breyner, da Ilse Losa, da Maria Alberta Menéres e da Matilde Rosa Araújo (não conseguia ler livros muito robustos mas adorava ler). Os mais robustos nesta fase eram da Alice Vieira. 

Indica alguns dos teus livros favoritos?

Stoner de John Williams; Terapia de David Lodge;  O Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, Crime e Castigo de Dostoiévski; Anna Karenine de Tolstoi, a tetralogia de Elena Ferrante e a Síbila de Agustina Bessa Luís.

Em que línguas gostas de ler? 

Português, inglês e castelhano.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Vários. Em casa, primeiro. No dia a dia, à noite, na cama, acendo a luz da mesinha de cabeceira e leio o livro que lá está ou leio no tablet (o que estiver no ibooks) às escuras para não incomodar o parceiro do lado. Este ritual, normalmente, funciona como sedativo e é frequente adormecer de óculos, com o livro/tablet ao lado ou em cima da barriga, ou arrumados pelo parceiro do lado numa das suas viagens noturnas. Durante o dia (aos fins de semana ou em período de férias) tenho três cantinhos de leitura diferentes consoante a disposição solar. Fora de casa, saio sempre com um livro, ou com a aplicação ibooks para aproveitar bem o meu tempo nos tempos mortos que surgem enquanto transporto filhos de um lado para o outro mas, normalmente, enquanto espero ponho-me a conversa com alguém e lá se vai a iniciativa. Sou eficaz nas minhas tentativas quando leio no carro durante viagens longas em autoestrada. Adoro ler num parque, na praia ou numa esplanada. 

Tens conta no goodreads

Não nunca tinha ouvido falar, mas fiquei curiosa e vou pesquisar!

Que livro estás a ler? 

Sempre fui leitora de ler um livro de cada vez mas, agora, como tenho sempre no encalço o livro do mês d‘As Leitoras de Pandora, tenho vários ao mesmo tempo, pois nem sempre acompanho o ritmo. Estou a ler Emma da Jane Austen, The bell jarr de Sylvia Plath e Os filhos da Rua Arbat  de Anatoli Rybakov.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas. 

Escolhi apenas vivas: 

  1. Agustina Bessa Luís,
  2. Elena Ferrante,
  3. Isabel Allende,
  4. Maruja Torres,
  5. Alice Munro,
  6. Maria Velho da Costa,
  7. Maria Teresa Horta,
  8. Alice Vieira,
  9. Lídia Jorge,
  10. Inês Pedrosa. 

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Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman

Arquivo de Personagens Femininas

Personagem:  Tina
Livro: Diário de Uma Dona de Casa Desesperada
Autora:  Sue Kaufman

Romances sobre perdedores temos as dúzias; na literatura norteamericana até podíamos considerar que constiui um subgénero em si mesmo. Mas o que não abundam são as histórias sobre perdedoras, sobre mulheres que afrontam a sua existência como um inevitável caminho de renúncia e obstinação. Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman, é uma dessas histórias, por isso a resgato do limbo literário para quem quiser descobrir uma escritora e um livro com uma narrativa sólida e personagens complexas.

Tina é uma dona de casa bem posicionada, casada com um advogado de prestígio, duas filhas e um cão. Uma vida, aparentemente idílica, mas que na verdade é um poço de obsessões, terrores e problemas, Tina arrasta uma neurose alguns anos e, é incapaz de fazer frente as suas obrigações sem cair na depressão. Um romance estruturado em forma de diário no qual Tina escreve, em segredo, para tentar acalmar e colocar por escrito os seus pensamentos. Sue Kaufman acerta em pleno, a voz da narradora alcança uma intimidade louvável: não vos nego que o formato diário pessoal é por vezes artificial (em certas passagens a narrativa é tradicional e a primeira pessoa não é tão credivél) mas no seu todo o resultado deste romance é de uma intimidade e proximidade notáveis.

Sue Kaufman, romancista americana nasceu a 7 de Agosto de 1926 em Long Isaland, Nova Iorque. Diplomada pela Vassar College em 1947, começou a trabalhar como assistente editorial. Faleceu a 25 de Junho de 1977, em Nova Iorque. Em sua homenagem anualmente é atribuído o prémio literário Sue Kaufman pela Academia Americana de Artes e Letras.

A intimidade e aproximidade da narrativa é conseguida através da profundidade com que é criada a personagem de Tina. Kaufman retrata uma mulher frágil, doentiamente débil, mas com uma resolução que vai crescendo a cada revés emocional que vivencia.  Diário de Uma Dona de Casa Desesperada mostra-nos o solitária que pode ser a vida de aparência feliz: como os problemas que se vivem no dia a dia se podem transformar em pesadelos dos quais não se consegue sair, até a sua cadela a consegue transtornar ao ponto de perder o controlo de si mesma. Isto pode fazer-nos pensar que Tina Balser é uma percusora de Bridget Jones mas longe disso: a protagonista é uma mulher descontente e de personalidade neurótica mas Kaufman não constrói uma personagem amável com a qual empatizamos ou com a qual podemos rir; Tina é uma mulher inteligente que, apesar da sua fragilidade psicológica, é capaz de transformar a sua vida num espectáculo para se tornar respeitável.

A angustia da protagonista é demasiado próxima como para não nos identificarmos com aquilo que lhe sucede. A normalidade de uma vida programada pelos outros, a pressão que impõe uma sociedade que vive da imagem que se projeta, o desconsolo de não sermos donas/os das nossas próprias existências… tudo é demasiado familiar e são características que se enraízam com o passar do tempo. O golpe final da autora está no mostrar a dualidade de Tina: vítima e carrasca, débil e autoritária. Não é uma mulher resignada que se rende perante o marido egocêntrico nem é uma heroína que faz frente a todos os contratempos que lhe surgem: é, simplesmente, um ser humano dividido entre as suas debilidades e as suas vilezas, uma pessoa tão capaz de sofrer como de ferir. Razão pela qual, esta personagem é tão real e complexa, mesmo que a narrativa esteja condicionada pela sua parcialidade.

Diário de Uma Dona de Casa Desesperada é um romance complexo e sugerente, com momentos divertido e de uma profundida subtil. Como disse no início é um livro que nos fala de uma perdedora mas Sue Kaufman oferece-nos um outro conceito de perdedora, vale a pena descobri-lo!

 

Diário de Uma Dona de Casa Desesperada
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Este livro foi publicado originalmente em 1967 e é considerado um dos romances fundacionais e mais representativos da nova consciência feminina a meados do século XX nos Estados Unidos. Diário de Uma Dona de Casa Desesperada de Sue Kaufman é um divertido e inteligente relato sobre o sentimento de angustia ao que todas as pessoas nos enfentamos alguma vez na vida.

A Capa do livro é muito importante

Quando vi a edição portuguesa confesso que a capa não me seduziu e fiquei com dúvidas de ler ou não ler… até que a ficha caiu! Não posso julgar o livro pela capa…

Tinha lido sobre Sue Kaufman e queria conhecer esta escritora por isso afastei o julgamento do livro pela capa e mergulhei na leitura. Não me decepcionou!

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Texto escrito

Gostas de ler? Catarina Silva.

 

A Catarina faz parte da nossa comunidade e do clube de leitura e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler?

Sim! Kafka à Beira Mar, de Haruki Murakami.

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Penso que não. Geralmente se não atinar com um livro à primeira quer dizer que não está destinado.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste?

A série Earthsea, da Ursula K. Le Guin.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer?

A Little Life, de Hanya Yanagihara.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias?

Sim! Felizmente a minha professora primária incentivava imenso à leitura e foi um hábito que ficou desde ai! Lembro-me perfeitamente de ler O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry e O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos.

Indica alguns dos teus livros favoritos?

As Intermitências da Morte, de José Saramago. Frankenstein, de Mary Shelley. Kafka à Beira Mar, de Haruki Murakami. The Book Thief, de Markus Zuzak. Nimona, de Noelle Stevenson. The Virgin Suicides, de Jeffrey Eugenides.

Em que línguas gostas de ler?

Português e Inglês.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Nunca comer enquanto leio porque tirar migalhas de entre as páginas de um livro é muito complicado.

Tens conta no goodreads?

Sim! (Podes visitar a Catarina aqui»»)

Que livro estás a ler?

Northern Lights, de Philip Pullman.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas?

  1. Libba Bray
  2. Leigh Bardugo
  3. Sylvia Plath
  4. Margaret Atwood
  5. Kelly Sue DeConnick
  6. Mary Shelley
  7. Virginia Woolf
  8. Charlotte Brontë
  9. Victoria Schwab
  10. G. Willow Wilson

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Gostas de ler? Mariana Neves.

A Mariana faz parte da nossa comunidade e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler?

Para além do Principezinho  de Antoine de Saint-Exupéry que releio todos os anos, o Planalto e a Estepe do Pepetela.

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? 

Todos os do António Lobo Antunes.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste?

Muitos livros na lista à espera de serem lidos! Pergunta muito dificil para ser respondida.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer? 

Diário de Anne Frank e Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias? 

Sim! “Cavaleiro da Dinamarca”, “O Fio da Ariana” ambos da Sophia de Mello Breyner, e “Um lugar mágico ou como salvar a natureza” da Susanna Tamaro.

Indica alguns dos teus livros favoritos?

Filhos da droga de Christiane F., Orgulho e Preconceito de Jane Austen e o Diário de Anne Frank.

Em que línguas gostas de ler?

Português.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Tento ter.

Tens conta no goodreads?

Sim. (Podem visitar a Mariana aqui»»)

Que livro estás a ler? 

Dois livros técnicos sobre autismo, para já.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas?

  1. Susanna Tamaro
  2. Jane Austen
  3. Sophia de Mello Breyner
  4. Torey Hayden
  5. Dorothy Koomson
  6. Bea Johnson
  7. Simone de Beauvoir, não são 10, mas são as que queria :)

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Ifemelu, a personagem que é difícil sair da nossa cabeça.

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Personagem:  Ifemelu
Livro: Americanah
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie

Dizem que há romances que contam uma grande história e romances que mudam a forma como vemos o mundo. Chimamanda Ngozi Adichie consegue as duas coisas com este romance brilhante e acessível. Americanah é uma história de amor, é um relato de sonhos desfeitos e outros alcançados com os quais toda uma geração certamente se pode sentir identificada, e é também uma aguda análise sobre a descriminação e o racismo mais evidente assim como o escondido em hábitos quotidianos.

Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie
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É um romance de momentos e realidades duras mas ao mesmo tempo é uma leitura divertida, com personagens reais e sedutoras para quem lê, principalmente o furacão Ifemelu, uma personagem difícil de sair da nossa cabeça. Está cheia de defeitos e virtudes,  é divertida, directa e inteligente; as mesmas qualidades pelas que se destaca também este romance. Não tenho qualquer tipo de reservas em recomendar a sua leitura. O desenvolvimento de Americanah gira em torno dos motivos que fizeram Ifemelu voltar ao seu país. As razões para essa acção são apresentadas sem pressa: o andamento da narrativa se dá pela memória de Ifemelu, de forma não-linear

Foi num dia ensolarado de julho que Ifemelu parou de forçar um sotaque que não tinha. Aconteceu logo após ouvir a um funcionário de telemarketing dizer-lhe que a sua voz soava tal qual uma americana – “nem parece que você mora há apenas três anos nos Estados Unidos!”

A frase do rapaz era em tom de elogio e os parabéns indicavam que Ifemelu devia ter alcançado alguma vitória particular. Na verdade, serviram mais para irritá-la do que para fazê-la feliz. Se não fosse pela decisão daquela manhã, Ifemelu voltaria à Nigéria como uma americanah.

O termo, quase um homônimo da língua portuguesa, é pejorativo: representa a adequação aos padrões americanos, bem como as consequências geradas a partir disso – afetações e maneirismos no sotaque, negação da língua nativa, mudança de costumes e hábitos. No romance de mesmo nome, escrito pela autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, a palavra aparece pela primeira vez em referência a uma menina que viaja para os Estados Unidos. “Voltará uma tremenda americanah”, dizem as suas amigas.

Ifemelu, decide renegar o uso do sotaque americano e quando toma essa decisão também recorda como foi a chegada aos Estados Unido e como descobriu o impacto da raça e de suas consequências baseadas em estereótipos o que lhe causava certo estranhamento – tanto quanto a maneira exótica como outros personagens a veem. Num dos posts do blog que escreve, Ifemelu descreve o que chama de “tribalismo americano”, tentando entender por que é que um judeu sofre preconceitos no país se a sua pele é branca. “Quanto mais tempo vocês passarem aqui, mais vão entender”, conclui.

É um livro assumidamente político. Trata-se de uma genealogia dos costumes das sociedades americana, britânica e nigeriana nas suas mais variadas acepções: nas duas primeiras, o racismo é o ponto forte a ser discutido; no caso da terceira, as lembranças de Lagos, capital da Nigéria, e o estranhamento com que Ifemelu retorna ao país (invariavelmente, mais americanah do que desejava) após viver nos Estados Unidos por mais de uma década. Em Americanah, Ifemelu e o racismo assume sem pudores o seu papel de protagonista.

Com Ifemelu ficamos alerta para o risco de nos tornarmos reféns de estereótipos, de narrativas únicas sobre determinados povos assim como a não esquecermos que nada é apenas aquilo que parece.

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Texto escrito

 

Gostas de ler? Sónia Pereira.

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A Sónia faz parte da nossa comunidade e do clube de leitura e quisemos conhece-la melhor e descobrir os livros que lê. Aqui fica o que descobrimos!

Existe um livro que já leste várias vezes e vais continuar a reler? 

Sim, Jane Eyre (entre outros).

Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? 

O processo de Kafka, mas ainda não desisti.

Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste? 

Por quem os sinos dobram de Ernest Hemingway.

Que livro leste e que cuja cena final jamais conseguiste esquecer? 

O meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos.

Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se sim, qual os livros que lias? 

Sim, quase tudo o que apanhasse à mão: tudo da Enid Blython, da Condessa de Ségur, Nancy Drew, Patrícia e outras de aventuras/mistério, livros da Biblioteca das Raparigas.

Indica alguns dos teus livros favoritos?

Jane Eyre, todos da Jane Austen, O diário de Bridget Jones de Helen Fielding, O homem do fato castanho, da Agatha Christie, O meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos, O principe das marés de Pat Conroy, Amesterdão de Ian McEwan, The hitchiker’s guide to the galaxy de Douglas Adams.

Em que línguas gostas de ler?

Português e Inglês.

Tens hábitos ou rituais de leitura?

Não propriamente.

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Não ou pelo menos não uso.

Que livro estás a ler? 

The Great Santini, do Pat Conroy.

Indica 10 escritoras que gostavas que respondessem a estas perguntas? 

  • Jane Austen
  • Charlotte Bronte
  • Anne Bronte
  • Agatha Christie
  • Florence Barclay
  • Chimamanda Adichie
  • Rosa Lobato Faria
  • Sophia de Mello Breyner
  • Margaret Atwood
  • Pearl Buck

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Estação Onze não é um romance pós-apocalíptico

A ficção científica é um novo ponto de vista. Não é uma previsão, mas um exercício de imaginação baseado no presente.

Na introdução do seu livro, A Mão Esquerda da Escuridão, a Ursula K. Le Guin (cito esta autora porque graças a ela o meu interesse pelo género cresceu) explica melhor o género:

“Toda a ficção é uma metáfora. A Ficção científica é uma metáfora. O que a separa de formas mais antigas de ficção parece ser o uso de novas metáforas, tiradas de alguns grandes dominantes da nossa vida contemporânea”

Com esta breve, brevíssima introdução sobre a ficção científica passo directamente para o livro que me motivou a escrever este texto Estação Onze de Emily St. John Mandel.

Se clicares nas palavras que encontras a vermelho ou nas imagens encontrarás curiosidades, textos relacionados, novas ou revistadas leituras 📚🦊
CHLOÉ POIZAT

…Houve a gripe que explodiu como uma bomba de neutrões sobre a superfície da Terra e o choque do colapso que se seguiu, os primeiros anos inenarráveis quando toda a gente viajava, antes de toda a gente se aperceber de que não havia lugar para onde se pudesse ir…

Vou começar a falar deste livro partilhando o que para mim ele não é. Estação Onze não é um romance pós-apocalíptico sobre os efeitos devastadores de um vírus que encolhe a população mundial até restar 1% de “afortunados” sobreviventes. Não procurem um ritmo trepidante num novo mundo surpreendente com tom lúgubre e violento. Este livro não querer entrar nesse clube, só pretende contar uma história humana de forma aparentemente simples.

Em a Estação Onze podemos encontrar uma reflexão sobre a essência do que é ser humano, como protegemos esse espírito e de que forma dá-mos forma as redes que nos unem as outras pessoas. Este romance  explora umas personagens as quais lhes resta apenas a beleza das coisas pequenas, um lugar onde já não há nada que distraia e tudo é sobrevivência. Um mundo onde as personagens só se preocupam por aquilo que importa de verdade mas que mantêm um pé no passado que parecia impossível de perder e um pé no futuro que apesar de terrível, não parece dar medo. Mesmo assim sobreviver não é suficiente. A existência precisa de outros espaço nos quais se expressar, já seja num teatro, numa banda desenhada, em cartas escritas a uma amiga que nunca nos responde.

Estação Onze, Editorial Presença, Emily St. John Mandel

Estação Onze é um livro intimista que procura despir as suas personagens, deixando a sua vida e as suas decisões nas mãos da leitora/o de forma pausada e até aprazível. As suas armas são um tremendo domínio de várias linhas argumentais que funcionam em décadas diferentes mas de forma paralela, quase como círculos concêntricos que unem as personagens. É uma história que não querer avançar já que a humanidade ficou suspensa após um sucesso que desencadeia um cataclismo. Por muito que a mudança seja inevitável e uma das poucas coisas que temos seguras na vida, também não nos podemos desembaraçar da memória. Emily St. John Mandel  tem um estilo que combina a simplicidade com as longas descrições que fluem numa espécie de efeito cascata que me pareceu eficaz e atractivo. A prosa não é a protagonista óbvia mas contribui a dar uma personalidade especial a este romance.

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Por último (não entrando em detalhes sobre as personagens porque são o que realmente importa e gostava que fossem vocês a descobrir a sua rede) o que não deixa este romance ser perfeito, na minha opinião, é que uma das suas personagens é um pouquinho cliché e outra podia estar mais desenvolvida. Fiquei com vontade de mais. De mais páginas talvez!? Ter ficado com vontade de mais é algo positivo, não!?! 😊

Estação Onze é um romance que gostei de ler e vocês? Alguém já leu? Não hesitem em partilhar a vossa opinião nos comentários, sinto que é um livro que vai agradar a muitas leitoras e leitores por razões diversas e tenho curiosidade de conhecer as vossas impressões. O que me dizem?

Texto escrito