Sensibilidade e Bom Senso e o Patriarcado – Jane Austen parte II

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Sensibilidade e bom senso  é escrita, ou sendo mais rigorosa, é esboçada no ano de 1797, com o título de Elinor e Marianne (que sem dúvida nenhuma é um romance epistolar), e é revista posteriormente em 1809 com a finalidade da sua publicação. Que tem lugar em 1811, mantendo o anonimato da escritora.

Neste romance Jane Austen coloca em cena duas heroínas com personalidades opostas: por um lado esta Elinor, jovem inteligente, um verdadeiro modelo de paciência, autocontrolo e moderação, do outro lado temos a sua irmã Marianne, uma romântica impertinente dotada de uma grande sensibilidade. A primeira esconde os seus sentimentos por Edward Ferras e a segunda aparece em público sem pudor algum na companhia de John Willoughby, um jovem sedutor e carente de moral.

Juntas experimentam as suas primeiras emoções amorosas quando descobrem que as duas pessoas por quem se apaixonaram estão comprometidas com outras mulheres. Marianne entregasse à pena e adoece. Contudo recupera e acaba por conhecer outro jovem que se apaixona por ela e com quem termina por casar tempo depois. Elianor mantém a sua dignidade até ao fim e para surpresa dela Eduard pede-lhe em casamento. Até aqui parece que vamos ler as histórias românticas das suas protagonistas mas…

Sempre há um ‘mas’ nos romances de Jane Austem! 

Sensibilidade e Bom Senso e o Patriarcado

Neste romance de Jane Austen podemos ver como há uma ausência total do patriarcado, que toma forma (ou não) no patriarca da família, as protagonistas crescem sem pai.

É interessante ver neste romance a morte do patriarcado e a posterior negação do seu sucessor em assumir o seu lugar.

Após a morte do Srª Daswood, Elinor, Marianne e Margaret ficam sem protector e o ser meio-irmão não serve para as proteger ou zelar pelo seu bem-estar. A tal ponto, que as protagonistas têm de abandonar o lar para que seu meio-irmão e a sua esposa o ocupem. É interessante ver neste romance a morte do patriarcado e a posterior negação do seu sucessor em assumir o seu lugar.

A autora expõe bem os problemas que surgem da falta de um patriarcado/patriarca em mentes mais sensíveis, como a de Marianne ou mostra como quase não afecta quando se tem uma mente prática e racional como a de Elinor. Colocando assim em evidência a educação recebida pelas mulheres. Isto acontece porque o Srº Dashwood deu uma educação racional, prática tornando-a numa adulta capaz de pensar e gerir a sua própria vida, a filha mais velha, Elinor. O mesmo não aconteceu com Marianne que teve uma educação conservadora acorde com os valores época.

Nas primeiras páginas do romance Jane Austen deixa claro esta diferença de carácteres e vemos como Elinor, perante a ausência do pai, assume o papel de cabeça de família. Vemos como esta personagem coloca em causa os comportamentos excessivamente sensíveis e apaixonados da irmã pois estes roubam-lhe a liberdade e a autodeterminação. Elianor não rejeita o amor ou apaixonar-se mas tenta que isso não lhe retire a sua autodeterminação de gerir a sua própria vida. Marianne perde o rumo e a saúde por entregar tudo em mãos do amor, percebendo após a doença que o amor não é perdesse a si mesma e sim encontrasse.

Austen tenta neste romance difundir ideias através das quais as suas personagens, em aparência conservadoras, promovam, com a sua atitude e raciocíno, uma mudança na vida das mulheres.

Seguindo as premissas que Wollstonecraft expõe em Uma Vindicação Dos Direitos Da Mulher, Austen reclama a eliminação do patriarcado que confinava a mulher ao espaço privado e de submissão. Através de uma boa educação que procura fortalecer o corpo e instruir o coração, de maturidade, de racionalidade e independência, a autora consegue que as suas heroínas cresçam, e se desenvolvam longe da autoridade parental alcançando a sua autorealização pessoal, evitando que simplesmente passem da tutela de um pai para a tutela de um marido.

Tal como Wollstonecraft, Austen não acredita em heroínas com poder ou autoridade sobre os homens mas sim sobre elas mesmas para que tenham a capacidade de escolher o seu próprio destino, rejeitando o patriarcado que obriga a mulher à subordinação e ao nulo desenvolvimento intelectual e social.

Texto escrito

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