Há livros “bons” e “maus”? Virginia Woolf responde.

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Com sensibilidade e sabedoria, Virginia Woolf convida-nos a experimentar a leitura como um estimulo para a nossa vida.

Estabelecer a diferença entre “bons” livros e “maus” livros será sempre polémico, em parte porque ditos adjectivos são tão generalistas que tendem a uma certa ambiguidade e por outro lado, porque é difícil retirar-lhes o peso moral com que são habitualmente utilizados.

É evidente, que falar de coisas boas e coisas más faz-nos pensar de imediato que se trata de uma qualidade essencial do que estamos a apreciar, para além disso, o bom parece ser por si só recomendável e o mau algo a desconsiderar de antemão.

Nada de Janne Teller

Por isso, a hesitação que muitas pessoas experimentam perante uma classificação deste género, já seja porque  “bom” e “mau” são palavras pobres para condensar uma opinião ou porque pretendem expressar uma valorização pessoal, e por isso, limitada e até questionável.

Mesmo assim, avaliar, mesmo de forma elementar entre bom e mau, é um ponto de partida ou de referência que, como mapas na geografia, nos permite navegar pelos mares usualmente confusos e baralhados do humano. Por exemplo, os livros.

Nos apontamentos (de 1924) de Virginia Woolf, vemos como a nossa adorada Woolf se questiona sobre o que torna um livro “bom” ou “mau”.  A sua resposta, ao contrário do que podíamos pensar, é mais simples e directa, não só pela forma como está enunciada mas, principalmente, pelo critério ao qual apela para fazer tão difícil distinção. Vejamos:

Um bom romance é qualquer romance que nos faz pensar ou sentir. Tem que tirar-nos do nosso lugar de conforto. Tem que nos deixar incómodas e de certa forma alerta.  O sentimento que nos provoca não tem que ser puramente dramático e por isso predisposto a desaparecer após saber como termina a história. Tem que ser um sentimento duradouro, sobre assuntos que nos interessam de uma ou outra forma. Um bom romance não precisa de enredo; não precisa ter um final feliz; não precisa tratar sobre gente simpática ou respeitável; não precisa ser minimamente igual a vida tal e como a conhecemos. Mas tem que representar alguma convicção por parte da escritora ou do escritor. Tem que estar escrita de um modo a transmitir a ideia do escritor, seja simples ou complexa, tão fielmente como seja possível. Não tem de repetir aquilo que é falso ou comum simplesmente porque é mais fácil para que as leitoras e leitores entrem no esquema que já conhecem.

O único método seguro de dizer se um romance é bom ou mau é simplesmente observar as nossas próprias sensações ao chegar à última página.

O Mundo é redondo de Gertrude Stein

Tudo isto, é referente aos romances clássicos, passados. É impossível ter a certeza de quais vão ser as características de um bom romance no futuro. Os romances contemporâneos surpreendem-nos por ser diferentes dos que aprendemos a admirar e criam uma beleza que, ao ser tão diferente da clássica, torna muita mais difícil a sua apreciação. O único método seguro de dizer se um romance é bom ou mau é simplesmente observar as nossas próprias sensações ao chegar à última página. Se nos sentimos vivas, frescas ou cheias de ideias e pensamentos, é um bom romance; se ficamos fartas, indiferentes e com pouca vitalidade, é um mau romance. Ter a certeza que o romance é bom ou mau e o tipo de virtude que tem resulta extremamente difícil. O melhor método é ler clássicos e modernos, comparar e assim desenvolver pouco a pouco um critério próprio. 

O fim de onde partimos de Megan Hunter

Resumindo, Woolf convida-nos a experimentar a leitura também como uma forma de autoconhecimento. Mais além dos critérios culturais, das mudanças históricas, da tradição ou outros elementos que possamos considerar, a valoração última corresponde a própria leitora ou leitor.

Tudo aquilo que nutre a nossa vida, tudo aquilo que nos dá vida, é “bom” num sentido amplo, e os livros não são excepção.

Quais são os teus “bons” e “maus” livros? Partilha-os connosco nos comentários. 📚😉

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