Obrigada, Rosa. 

foto de Helena Almeida

“E pensei: se tu soubesses a quantidade de vidas diferentes que pode haver numa só vida…”

A louca da casa, Rosa Montero

Gratidão
Pois os livros são como varinhas mágicas
E, aqui, sinto-me enfeitiçada.

Foi este o sentimento que emergiu ainda nos primeiros capítulos de “A louca da casa”. Um verdadeiro presente. Mal poderia imaginar tudo o que caberia lá dentro. Rosa Montero não apenas nos convida à louca da casa que mora dentro de nós, em outras palavras, à nossa imaginação. Mas, também, questiona o “simples” categorizar de um livro ao misturar os limites de romance, ensaio, real e fantasia.

Precisava lê-lo de novo e de novo. Rabiscá-lo, grifá-lo, vivê-lo.

Na busca de não estender demasiado a minha prateleira de livros, havia alugado “A louca da casa” na Biblioteca Municipal Almeida Garrett da cidade do Porto. Pareceu-me uma decisão acertada na altura. No entanto, com o passar das páginas, e após a discussão do clube de leitura das Pandoras em maio, não tive dúvidas: precisava de um espaço só para ele na prateleira. Precisava lê-lo de novo e de novo.
Rabiscá-lo, grifá-lo, vivê-lo.

“E pensei: se tu soubesses a quantidade de vidas diferentes que pode haver numa só vida…”

O feitiço das palavras ali colocadas com tamanha precisão (na falta de melhor explicação) faz de cada frase um portal para a loucura em si. Ainda mais poderoso se lido pelas mãos de um escritor.

Portanto: Obrigada, Rosa.

Essa não sou eu…

Essa, só, não sou eu!

Adentra-me, assim sem muita explicação ou pedidos de licença, um ímpeto. Ímpeto ao que, perguntas. À vida. À esperança de uma infância futura. Que persista embora inexistente se contares apenas os anos. A verdade é que transcende os anos. Desde que…

Não escrevia há muito. Há muito me questionava, complicava. O peso das palavras recaíam como a enormidade do concreto. Uma a uma deixando a leveza da mente para adentrar a sedimentada realidade.

Já permito a contestação: Podem ser igualmente reais as palavras desenhadas apenas entre um neurônio e o próximo?

A realidade parece matar. Mata-nos aos poucos na vida-a-vida tão bem escrita por Clarice. Mas não seria vida-a-morte? Mesmo se nossa crença incluir um retorno, ainda precisamos da morte. Sem ela, como haver romance?

Sem fim não há como distinguir a palavra que traz o ímpeto inicial.
Na letargia do nada, como explicar o súbito impulso à vida? É como desafogar-se.

Consigo respirar agora com mais pausa e menos ânsia por extrair-me cada palavra. Sei que posso mais. Que sou mais.

Não há palavras (por mais perfeitamente ordenadas) que reduzam a vida.

nota: este texto cumpre a grafia do português no Brasil

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