Não há amor sem humor

texto escrito por Sara Leão

A história começa com um parto. E depois, há a capa. Porque haveria eu de resistir a esta capa? O parto acontece nas traseiras de uma oficina, em plena fuga para a frente, entre mundos em guerra. O pai do novo ser sem nome corta o cordão umbilical com os dentes. Hazel é agora, em nome próprio, a narradora desta história. Esta é  a sua autobiografia.

Não há amor sem humor e “Saga” tem ambos, em abundância.

São muitos começos: nasce uma nova família, que sela o corte com o passado e com a guerra infindável travada entre os planetas de Alana e Marko. Alana tem asas, Marko tem cornos e Hazel tem tudo, e é tudo, pelo menos, para os dois. Abandonam as filiações planetárias, lutam apenas em defesa de si e do recém-chegado terceiro elemento – querem permitir-se uma nova forma de viver. São guerreiros em reforma antecipada, que as circunstâncias não querem facilitar.

Leiam. É muito, muito bom. E, quanto mais não fosse, há robôs. Já me têm dito que é um ponto a favor de qualquer história. Se me permitem, prefiro apostar em guerreiras intergalácticas que amamentam.

As ânsias familiares são partilhadas por diferentes espécies, desde robôs aristocráticos, cujo  sexo decorre em corpos plenamente antropomórficos (salvo pela cabeça-monitor), a mercenários letais mas sujeitos a arrebates de ternura, quando confrontados com a escravidão sexual de uma menina de 6 anos. Não sabemos, ainda, ao que vão. Procuram a continuidade duma linhagem de robôs de sangue azul? A ternura foi revolta contra outras orfandades? O livro explora as raízes emocionais que, bem ou mal, nos seguram, e que conseguem ser mais sinuosas do que as plantas dos Bosques Sem Fim. «Que género de idiotas têm um filho num mundo como este?». “Saga” responde que vários.

Os desenhos de Fiona Staples são sedutores e profundamente expressivos. Sabe bem ao meu eu adulto continuar a perder-se nas imagens de um livro. Brian K. Vaughan é um estrela dos comics, tendo escrito para a Marvel, assim como para televisão e cinema. Há ainda outras personagens memoráveis, como uma gata que não tolera mentiras, ou uma baby-sitter adolescente de gorro e tripas ao dependuro, por baixo da t-shirt. Não há amor sem humor e “Saga” tem ambos, em abundância.

Leiam. É muito, muito bom. E, quanto mais não fosse, há robôs. Já me têm dito que é um ponto a favor de qualquer história. Se me permitem, prefiro apostar em guerreiras intergalácticas que amamentam.

 ✄  Brian k. Vaughan e Fiona Staples FloyStudio está disponível na LIVRARIA da Confraria Vermelha Livraria de Mulheres»» caso o meu texto tenha despertado o teu interesse, deixo-te um pequeno presente: Código de desconto mais(hu)amor

 

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