Desafio de Janerio

No desafio literário para 2017 MULHERES DE PALAVRA a proposta de Janeiro é ler Autoras Negras.

Quantas já leste?

Aposto que não muitas, mas elas existem! E são, da periferia, trabalhadoras e pesquisadoras que sabem colocar em palavras o ponto de vista da mulher negra que sente tudo na pele. Tratam de diversos temas de uma maneira emocionante, mas, infelizmente, são pouco divulgadas e publicadas.

Selecionei 3 livros de três escritoras negras que precisas conhecer. Afinal, como diria Alzira Rufino: o possível, estamos fazendo agora; o impossível demora um pouco mais!

Balada de Amor ao Vento de Paulina Chiziane

De Paulina Chiziane dizem que é romancista e que foi a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de Amor ao Vento, 1990), mas a autora  afirma: “sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.”

Nasceu em 1955 em Manjacaze. Frequentou estudos superiores que não concluiu. Actualmente vive e trabalha na Zambézia.

500_9789722115575_balada_de_amor_ao_ventoBalada de Amor ao Vento

Sarnau e Mwando protagonizam esta história de amor. Da juventude à idade madura, com eles percorremos os dias, os meses, os anos, os encontros e os desencontros, a dolorosa separação, o desespero, o sofrimento e a alegria, as lágrimas e os sorrisos. Queres ler?

Oreo de Fran Ross

Oreo (1974) podia ser a estreia de uma autora cool com um futuro risonho no mundo da comédia. Mas quis o Destino que assim não fosse, apagando-o do Olimpo literário e remetendo-o ab initio para o Hades da escrita. Incrivelmente ignorado e inexplicavelmente esquecido, este romance narra a gloriosa aventura de Oreo, catraia de Filadélfia e filha de mãe negra, em busca do pai judeu na Grande Maçã e da «revelação do segredo do seu nascimento», qual Teseu moderno com um je ne sais quoi feminista. Seguindo as pistas deixadas pelo desaparecido progenitor, armada com um vocabulário invejável e um complexo sistema de golpes de autodefesa, a nossa heroína embrenha-se no labirinto de ruas e do metro nova-iorquino, solucionando enigmas e arrumando adversários com igual destreza e celeridade. Fundindo pirotecnia verbal q.b. e sátira em doses generosas, iídiche ma non troppo e cultura pop dos anos 70, Oreo é uma versão moderna do mito grego de Teseu, uma hilariante e picaresca viagem de autodescoberta e, sobretudo, uma inteligente visão de estereótipos raciais e da construção da identidade americana. Ficas-te curiosa?

oreo-capaFran Ross

Fran Ross (1935-1985), leitora muito precoce (desde o berço), criatura com inclinações artísticas e atleta determinada, cresceu em Filadélfia, onde estudou teatro e jornalismo na Temple University. Foi repórter da Saturday Evening Post, trabalhou em várias editoras nova-iorquinas nos anos 60 e escreveu artigos para as revistas Essence e Titters. Fixou-se em Los Angeles, para escrever textos de comédia no controverso The Richard Pryor Show. Em 1974, no auge do Black Power Movement, publicou Oreo, o seu único livro, na expectativa de fazer carreira na escrita. Faleceu em 1985, sem terminar uma segunda obra. Legou-nos a sua prosa irreverente e estaladiça e uma heroína flambée para a eternidade: Oreo.

A estação da sombra de Léonora Miano

No coração de África, nas terras do clã mulongo, um incêndio grassa, e doze homens da tribo desaparecem misteriosamente. Uma mulher, uma das mães banidas da comunidade, empreende então um longo périplo, que a conduzirá à atroz verdade.

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A Estação da Sombra é a odisseia dos vencidos, daqueles cuja sociedade é destruída pela aparição de um odioso comércio instaurado pelos europeus, prenunciando tempos negros em que a vileza engendra o cativeiro de todo um continente. Da prosa impregnada de misticismo de Léonora Miano, emanam o canto dos escravos acorrentados e a angústia que invade os seus entes queridos perante o inexplicável, culminando num poderoso exercício de restituição de humanidade e de voz a todos os que delas se viram privados.

Léonora Miano

Nasceu em 1973, nos Camarões, vive em França e é uma das vozes francófonas mais intensas da sua geração. Autora de vários romances, entre os quais O Interior da Noite e Contornos do Dia que Nasce, debruça-se persistentemente sobre a penetração do mundo ocidental numa África ancestral, as vivências subsarianas e os testemunhos dos afro-descendentes, inscrevendo-os pela força da escrita na consciência do mundo. Na sua obra, pontuada por vozes femininas, o dever de dar vida aos espoliados impõe-se como forma de os homenagear. Apetece-te conhecer esta autora?

Vamos celebrar o talento destas mulheres que têm muita história para contar.

Segue o desafio Mulheres de Palavra»»

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