O Futuro pt.5: Regresso ao Admirável Mundo Novo

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“No decurso da evolução, a natureza deu-se a um imenso trabalho
para que cada indivíduo fosse diferente dos outros.
Nos planos físico e mental, cada um de nós é único.”
                              Regresso ao Admirável Mundo Novo

Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley foi a primeira distopia que li e continua a ser umas das minhas favoritas. Continua também a ser a distopia que vejo mais próxima do meu futuro.

Huxley, como Atwood e como Boye, criou uma realidade que não é um oráculo. Uma realidade que não é uma previsão de um futuro mas uma observação profunda e detalhada do seu presente. Levando o presente para a forma deformada do “lugar mau” que a palavra distopia significa. Cabe ao leitor impedir a possibilidade.

Em Admirável Mundo Novo o ser humano nasce numa hierarquia e é condicionado desde o nascimento para a manter. A felicidade é consumida em comprimidos, a máquina foi divinizada e as pessoas existem sem ligações, em absoluta superficialidade. Era este o mundo em que Huxley temia viver em 1932 quando publicou o livro; e era este o mundo em que sentia viver em 1958 quando publicou Regresso ao Admirável Mundo Novo.

 Porque as distopias têm o poder de dar a quem lê
mais palavras para tentar entender o mundo.

Regresso ao Admirável Mundo Novo é um livro singular em que o autor faz uma análise da sua própria obra analisando também a possibilidade de a sua obra se tornar no futuro. É uma distopia da realidade, do presente sem qualquer distorção científica que o torne ficção. Huxley quer que quem o lê entenda mais sobre a pessoa que é e sobre a sociedade em que vive. Quer que as suas palavras alterem a forma como quem o lê vê o mundo.

Porque as distopias têm esse poder: o poder de dar a quem lê mais palavras para tentar entender o mundo. Ao encontrar partes da nossa realidade numa distopia aprendemos também a encontrar a verdade sobre a nossa realidade. A procurar a verdade entre o ruído à nossa volta, a entender que o futuro que vamos viver depende da nossa consciência.

No momento de medo, violência e insegurança que vivemos as distopias são referidas frequentemente. Porque as suas palavras questionam a sociedade em que nos inserimos. Porque nos mostram mais sobre quem somos. E porque nos mostram também que não estamos sós, que existimos num mundo de muitas possibilidades e de muitas realidades em que é necessária a união para que seja possível criar um futuro.

Com o seu Admirável Mundo Novo e o seu Regresso, Huxley mudou o meu olhar sobre o mundo e iniciou o meu interesse por literatura distópica de onde resultam, para já, estes textos sobre algumas das minhas distopias favoritas. Poderia ter escrito sobre outras consideradas mais populares e talvez volte ainda a escrever sobre distopias no meu futuro. Mas estas foram as palavras que quis partilhar sobre os livros que me interessam agora. Porque foram os livros que me ensinaram que as minhas opiniões devem ser minhas.

“As palavras podem ser semelhantes aos raios X:
se delas nos servimos convenientemente, atravessam tudo.” 
                               Admirável Mundo Novo

O Futuro pt.1: Kallocaína 

O Futuro pt.2: A História de uma Serva 

O Futuro pt.3: The Core of the Sun 

O Futuro pt.4: As Filhas de Eva 

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