Chimamanda Ngozi Adichie, outra vez… por Helena Ferreira

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Chimamanda Adichie – um nome que escrevi muitas vezes, durante este último ano, na única rede social em que dou o ar da minha graça. Tantas foram as vezes, que a certa altura a livreira da Confraria Vermelha, a Aida, apelidou-me num tom divertido de “femifan”. Mea culpa, admito que nutro uma profunda admiração por esta jovem escritora, que segundo a norma patriarcal instituída é uma subalterna apenas por ser quem é: mulher, negra e africana e que, apesar disso, ou talvez por isso, luta diariamente contra todas as formas de opressão, dando representatividade à população nigeriana através da sua literatura.

As personagens das suas histórias são tão fortes e reais que saltaram para fora das páginas, seguraram-me a mão e puxaram-me para dentro das suas vidas. Em Americanah comovi-me com o primeiro amor de Ifemelu, desiludi-me com o governo militar da Nigéria, emigrei para os Estados Unidos e vi pela primeira vez com “olhos de ver” o quão desumanos são os preconceitos de raça associados aos de género e classe. Meio sol amarelo provou-me o quanto a identidade é construída e fluída, uma vez que eu tanto poderia assumir o papel da humanista e doce Olanna, como o da sua gémea, a fútil e fria Kainene, que no decorrer das suas vidas de amores e desamores são apanhadas pela guerra do Biafra e obrigadas a viver como refugiadas. Em A cor do hibisco, chorei com a adolescente Kambili, sempre que esta, o seu irmão ou a sua mãe eram vítimas de maus tratos por parte do pai, um homem religioso fanático que educa através da opressão e do medo, infligindo castigos cruéis em toda a família.

“A questão de género é importante em todo o mundo.
É importante que comecemos a sonhar e a planear um mundo diferente.
Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes,
mais autênticos consigo mesmos.”

Ao longo destas leituras, nunca entrei no jogo do “perigo de uma história única”. Percebi que na Nigéria, tal como no resto do mundo, coexistem várias culturas, muitas vidas e infinitas histórias. Histórias que se podem cruzar e por isso não me é difícil imaginar que a Ifemelu, a Olanna e a Kainene são grandes amigas que se juntam para discutir a importância da representatividade das mulheres negras africanas na literatura.  Imagino ainda as três a ler “Todos devemos ser feministas” com todas as adolescentes que surgem nas distintas obras e ouço a voz de Kambili: “A questão de género é importante em todo o mundo. É importante que comecemos a sonhar e a planear um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos.”

O perigo de uma única história por Chimamanda Adichie

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