Patricia Highsmith, a minha autora do ano por Helena Topa

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Neste ano marcado pela abertura da primeira e única livraria de mulheres do país, podia ter-me ocorrido uma escritora portuguesa, como a Ana Hatherly ou a Manuela Amaral, ou pelo menos de língua portuguesa, como a Clarice Lispector, todas autoras de que muito gosto. Mas não. Para chatear, escolhi sem pensar muito a Patricia Highsmith.

Foi uma revelação e um prazer repetidos reler (ou treler) O Preço do Sal, em reedição (e nova tradução) portuguesa, um livro há muito esquecido e agora recuperado por causa do filme Carol. Este livro, que tornou Patricia Highsmith conhecida como escritora não só de livros policiais, mas também de um romance de temática lésbica, é excecional em todos os sentidos: porque ousou pegar neste tema de forma clara em 1951 (imagine-se!), porque é muito bem construído em termos narrativos, agarrando o leitor em todos os momentos, porque criou personagens tão de carne e osso como Carol e Therese, porque a sua escrita é poética.

O Preço do Sal um dos melhores romances de amor que alguma vez li.
Por falar do amor no feminino como fala,
por tocar em todos os pontos que a transgressão à heteronorma implica,
fazendo-o com uma escrita sedutora, simultaneamente sóbria e empolgante.

A maneira como faz contracenar estas duas mulheres que se apaixonam dá-lhes corpo e autenticidade, tanto nas emoções como nos comportamentos, concebendo esta história como uma história de amor entre tantas outras, mas ao mesmo tempo uma história de amor com particularidades que só poderiam acontecer entre mulheres, entre estas mulheres.

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Patricia Highsmith surpreendeu-me em toda a linha, sobretudo depois de ter lido Os Pequenos Contos da Misoginia, terríveis, sarcásticos, destrutivos, verdadeiramente misóginos, que criam uma imagem demolidora pelo menos de certos tipos de mulheres. E, embora Carol não seja poupada por ser dominadora e paternalista em relação a Therese, estas personagens têm características que as tornam fascinantes e complexas, com virtudes e defeitos como qualquer pessoa, tornando O Preço do Sal um dos melhores romances de amor que alguma vez li. Por falar do amor no feminino como fala, por tocar em todos os pontos que a transgressão à heteronorma implica, fazendo-o com uma escrita sedutora, simultaneamente sóbria e empolgante.

Obrigada, Aida, e obrigada à comunidade da Confraria Vermelha por terem acolhido a sessão das “Conversas Para Lê-Las” dedicada a este livro.

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