Do livro ao Filme: As virgens suicidas

A minha leitura das Virgens Suicidas aconteceu já há alguns anos. Não me lembro como cheguei ao livro nem quais as razões que me levaram à leitura do mesmo. Algo deve ter captado a minha atenção mas não recordo concretamente o quê.

A adaptação cinematográfica por Sofia Coppola foi a primeira escolha do ciclo Do livro ao Filme. Mas hoje vou escrever sobre o livro e não sobre o filme, que adorei e que já lhe perdi a conta das vezes que o vi!

11 de Agosto '16 cinema na Confraria
11 de Agosto ’16 cinema na Confraria

Jeffrey Eugenides leva-nos até ao ambiente opressivo da família Lisbon. Os narradores são um grupo de rapazes que tentam flertar com as irmãs Lisbon. Aqui está a primeira coisa que me agradou no livro, não é comum o narrador ser um grupo, é mais habitual ser uma figura singular.

Gostei bastante da forma como Jeffrey Eugenides nos conta a história. Principalmente na primeira metade do livro no fim a coisa torna-se um pouco excessiva demais. Jeffrey Eugenides tem estilo muito visual e detalhado, perfeito para a linguagem cinematográfica… e que a Sofia Coppola soube usar na perfeição mas o excesso descritivo no livro rouba espaço à imaginação o que não acontece no filme.

O grupo de rapazes, contam-nos, anos depois, a vida das irmãs Lisbon e dos momentos que passaram com elas.

Se tivesse que descrever As virgens suicidas numa palavra, seria: conflito. A obrigação de renunciar aos sonhos à medida que crescem, a incapacidade de satisfazer os seus desejos, o vazio existencial e a procura de uma identidade… A adolescência implica um conjunto de mudanças e experiências para se tornarem adultas. Quando é imposto o julgamento e a moral de terceiras pessoas as adolescentes sentem-se reprimidas o que pode desencadear a procura de uma saída, qualquer saída. As irmãs Lisbon não odiavam a vida, pelo contrário, amavam-na tanto que só tinha uma forma de a recuperar.

"Para a maioria das pessoas o suicidio é como uma ruleta russa.
Só há uma bala na arma. No caso das irmãs Lisbon, a arma esta 
totalmente carregada. Uma bala para a pressão familiar. 
Uma bala para a predisposição genética. Uma bala para o 
mau-estar histórico. Uma bala por um impulso inevitável. 
As outras são impossíveis de nomear, mas isso não significam 
que não estivessem no seu lugar."

Durante a leitura não consegui evitar a associação na minha cabeça do Lolita de Nabokov com As Virgens Suicidas mas multiplicado por cinco. Talvez porque os narradores não abandonam as descrições das 5 raparigas, quer físicas quer psicológicas nem o fascínio que sentem por elas.

Há um detalhe na narrativa de Jeffrey Eugenides que por vezes me deixava perdida, a falta de continuidade. O autor dá saltos no tempo sem prévio aviso, são interrupções curtas ao presente mas que por vezes se tornam aborrecidas.
Acho que é um livro muito mais estético que narrativo, talvez por isso gostei tanto da adaptação cinematográfica. Penso que Sofia Coppola conseguiu, no filme, algo que o autor não conseguiu no livro que é permitir-nos ver no interior da história.

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O melhor da minha leitura: A implicação que senti como leitora na história. A capacidade de evidenciar o isolamento e a hipocrisia dos habitantes de Detroit. As mudanças que experimenta a sociedade norte-americana o capitalismo.

O pior da minha leitura: O excessivo distanciamento das irmãs Lisbon. Alguns detalhes são irrelevantes e não estão relacionados com a história principal. O resultado da obsessão pelas jovens permanece injustificado, não percebemos porque é que tanto tempo depois se continua a falar delas e nem sequer são esclarecidos os motivos da investigação.

Recomendo o livro? Sim. Principalmente as leitora que apreciam a estética, ou seja, a forma como é contada a história. Os detalhes. As metáforas. As descrições das personagens, principais e secundárias.

O próximo livro do autor que vou ler (uma leitura pendente há bastante tempo) é Middlesex . Quer  As Virgens Suicidas quer Middlesex estão disponíveis na biblioteca da  Confraria em Português.

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