A Caixa de Pandora não se pode voltar a fechar!

Na passada quarta-feira (6 de Julho ’16) tivemos a primeira Saia Justa da Confraria Vermelha Livraria de Mulheres e como convidadas tivemos as membras do coletivo Inversamente.

As Inversamente simbolizam, ao mesmo tempo, o combate e a feminidade.
Da soma de ambos conceitos resulta uma palavra que, ainda hoje,provoca respingos em certas pessoas: feminismo.

As Inversamente são o resultado das sementes lançadas no primeiro Festival Feminista do Porto. Nascem com o objectivo/missão de derramar o pensamento e a sororidade feminista através da arte e da educação assim como visibilizar as diversas lutas a favor dos direitos e liberdades das mulheres.

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O núcleo do coletivo é constituído por 5 mulheres: feministas, ativistas, de diferentes pontos de Portugal e da Alemanha, mas que vivem e trabalham no Porto. São educadoras, artistas, pesquisadoras, criadoras.

Podem conhecer mais sobre este coletivo no Site das Inversamente.

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#NÃOSOUSÓCONA,  é a mais recente iniciativa das Inversamente, uma iniciativa que “promove a escrita em matilha. A catarse em tribo. Que abre uma pista para podermos correr e gritar aquilo que ficou tatuado nos nossos corposmente, deixando o piloto automático sempre ligado. O nosso corpo é um campo de batalha.” 

Uma iniciativa para sensibilizar sobre o assédio sexual e reflectirmos sobre o fim do piropo e o principio do respeito.

Podem ter mais informação desta campanha no facebook do coletivo.

A avó Amélia também escreveu sobre esta iniciativa das Inversamente na Revirada Revista Feminista.

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O Livro da Noite

 “O feminismo é um esforço para mudar algo muito antigo, disseminado e profundamente enraizado em muitas culturas – talvez em quase todas – espalhadas pelo mundo fora, em inúmeras instituições e na maior parte dos lares da Terra; e nas nossas mentes, onde tudo começa e acaba. O facto de tantas mudanças terem ocorrido em quatro ou cinco décadas é espantoso; o facto de não estar tudo mudado a título permanente, definitivo e irrevogável não é sinal de fracasso (…). O processo leva tempo. Existem marcos pelo caminho, mas há tantas pessoas a percorrerem essa estrada ao seu próprio ritmo, e algumas aparecem mais tarde, e outras estão a tentar deter toda a gente que avança e umas quantas andam em marcha atrás ou estão baralhadas e não sabem em que sentido seguir. Até nas nossas próprias vidas regredimos, falhamos, prosseguimos, tentamos de novo, encontramos o que não sabíamos que procurávamos e, no entanto, continuamos a conter contradições durante gerações e gerações (…). Há outra metáfora de que gosto e que expressa não o progresso, mas a mudança irrevogável: A Caixa de Pandora (…). No mito de Pandora, a ênfase habitual recai na curiosidade perigosa da mulher que abriu o frasco – na verdade, foi o frasco e não a caixa que os deuses lhe deram – , pondo assim todos os males à solta no mundo.

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As Coisas que os homens me explica de Rebecca Solnit

Por vezes, a ênfase recai no que ficou dentro do frasco: a esperança. Mas o que me interessa neste momento é que, ao contrário dos génios das lâmpadas, ou espíritos poderosos, (…) as forças que Pandora põe à solta não voltam para dentro da lâmpada. (…) Não há volta atrás.

Podemos abolir os direitos reproductivo que as mulheres conquistaram, ou outras conquistas, (….). Mas não podemos abolir tão facilmente a ideia de que as mulheres têm determinados direitos inalienáveis (…).

O que não volta para dentro da caixa são as ideias. E as revoluções são, acima de tudo, feitas de ideias. Podem cercear os direitos (…) mas não podem convencer a maioria das mulheres que não devem ter o direito de controlar os seus próprios corpos, as suas próprias vidas. Às mudanças emocionais e intelectuais seguem-se mudanças práticas. Por vezes, a essas mudanças, seguem-se outras legais, políticas, económicas e ambientais (…).

Estas mudanças extraordinárias são muitas vezes contadas como histórias de política legislativa e campanhas específicas para mudar a lei. Mas, por detrás delas, encontra-se a transformação da imaginação e o feminismo que levou ao declínio da ignorância, do medo e do ódio (…).

Ainda temos tanto para fazer, mas olhar para trás e ver tudo o que já conquistámos pode ser encorajador. A violência doméstica era praticamente invisível e ficava impune até que, há umas décadas, as feministas conseguiram, com um esforço heróico, trazer o problema a luz e ataca-lo (…). Os génios não vão voltar para dentro das lâmpadas. E é assim, no fundo, que funcionam as revoluções. As revoluções começam, acima de tudo, pelas ideias.”

Até a próxima Saia Justa ;) ♥

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