Reflexões: Dia da Mãe

Este ano o dia 1 de Maio acolhe duas efemérides: o dia da trabalhadora/trabalhador e o dia da mãe. Agrada-me esta coincidência gregorina, pode ser que motive para a reflexão sobre, as mais do que evidentes, dimensões políticas, sociais, económicas… da maternidade.

Tem sido um desafio interessante seleccionar os livros que habitam a estante materdidadeS da Confraria Vermelha Livraria de Mulheres e procurar ficção que aborde a maternidade de uma forma diversa, real, livre para a estante o meu quarto próprio… é uma tarefa no mínimo curiosa.

Encontrar modelos, partilha de experiências, reflexões, emoções é (para mim) por vezes frustrante, estamos bastante limitadas no mundo literário no que à maternidade diz respeito. É ainda, sinónimo de livros de auto-ajuda ou revistas com nomes tipo “O teu bebé” ou “Pais & Filhos”.

Onde está a arte? A história? A crítica? A literatura? A filosofia?

Quando procuro sobre a temática guerra, por exemplo, tenho a Ilíada.

A maternidade é muito mais do que ecografias, fraldas e papas!!!

Por vezes sinto, como se a maternidade, e por conseguinte as mulheres, é expulsa do mundo do poder e da “alta cultura”. A maternidade, as experiências femininas, ficam demasiadas vezes rebaixadas a um carácter anedótico, irrelevante. É uma sensação de querer falar e sentir que a nossa palavra não tem peso, autoridade… que não é ouvida. Como se abríssemos a boca e não saísse som: “Lá vem a chata que sempre fala da gravidez e do parto.”

OLHARES TRANS-FRONTEIRIÇOS

Maternidades subversivas – Este livro recolhe entrevistas e testemunhos de mães, de pais, de MaPas, parteiras, pais trans e de activista da amamentação que estão a virar de pernas para o ar o conceito tradicional de maternidade que reina na nossa sociedade. Mas o que é a maternidade subversiva? Nas palavras da própria escritora, María Llopis é “aquela que questiona, a gravidez, o parto e a maternagem na nossa sociedade.” Também é aquela que entende a maternidade como um estádio sexual do corpo, María Llopis, oferece-nos um livro de entrevistas onde cada uma delas nos oferece um ponto de vista diferente sobre a maternidade selvagem, prazerosa e não normativa. Cada um dos testemunhos partilhados subverte a concepção da maternidade imposta por um sistema patriarcal. Cada um a sua maneira, é selvagem. Mais informação aqui»»

OLHARES FEMINITAS

revolución en-500x500Revolución Desde El Punto Cero – Este livro reúne 13 artigos da feminista Silvia Federici entre 1975 e actualidade. Inclui textos fundamentais sobre as campanhas para o Salário para o trabalho doméstico assim como importantes reflexões sobre o impacto de Programas de Ajuste Estrutural nos países do Sul. As contribuições desta escritora reflectem quer a força da sua paixão política quer a potência intelectual do seu entendimento sobre o capitalismo, em geral, e o trabalho reproductivo, em particular. Mais informação aqui»»

O MEU QUARTO PRÓPRIO

Paula de Isabel Allende – Paula, com um forte cunho autobiográfico, é uma das obras mais intensas de Isabel Allende, que nos faz revisitar o universo mágico dos seus primeiros romances. Paula, a filha da escritora, adoeceu gravemente, entrando pouco tempo depois em coma. Durante meses no hospital, a autora começou a escrever a história da família para a filha, que permanecia inconsciente. Nesse relato somos levados a conhecer os segredos e recordações mais íntimos do seu passado e do seu país natal, o Chile, ao mesmo tempo que assistimos às sucessivas tentativas de contrariar e, por fim, aceitar a partida iminente de um ente querido. Escrita como uma catarse face à irreversível doença, Paula é uma enorme lição de vida, ao mesmo tempo que nos permite conhecer um pouco melhor o mundo fantástico de A casa dos espíritos e Eva Luna e concluir que as suas personagens pertencem, na verdade, ao mundo fantástico de Isabel Allende: a sua realidade encantada. Mais informação aqui»»

Um Milagre de Equilíbrio de Lucía Etxebarría – Eva Agulló tornou-se famosa com um livro sobre vícios. Na realidade, ela própria é uma viciada. Viciada no álcool, na angústia, na avaliação dos outros. Numa carta-diário escrita à filha recém-nascida enquanto a própria mãe agoniza no hospital, Eva tenta explicar de que família vem para poder imaginar para que família se dirige. Caminhando entre o passado, o presente e o futuro, entre Nova Iorque, Madrid e Alicante, reconstrói a história nunca contada da família Agulló Benayas: os segredos, as heranças, materiais ou não, que os pais legam aos filhos, e como para alguns leva toda uma vida aprender a vivê-la. Para concluir que a vida é, em si mesma, um milagre. Um milagre de equilíbrio.

Libro de las madres de Laura Freixas – Laura Freixas reúne neste livro uma diversidade de textos de autoras e autores de épocas e procedências diversas, que reflectem diferentes aspectos da maternidade. Incluindo relatos, fragmentos de romances e cartas de 16 autoras/os, desde os clássicos greco-romanos, como Ovídio ou Eurípides, até a inovadora Clarice Lispector, passando por Bocaccio, Jane Austen ou Jules Renard.  Mais informação aqui»»

 

Anúncios

A tua opinião é importante

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s