Tens de ler Haruki Murakami!

Ontem  fui tomar um café com uma amiga para conversarmos sobre o Plano B (ela é uma das mecenas) que está na recta final e precisa de todes nós.  

Vamos que vamos fazer  acontecer juntes! :)

Pusemos a conversa em dia e falamos de livros. Ela falou-me do último livro que leu. Foi um do Haruki Murakami.

Confessou-me que está apaixonada pelos livros do Marukami e que anda com curiosidade de conhecer mais literatura japonesa e de ler clássicos como Bansho, Natsume Soseki, Yukio Mishima ou Yasunari Kawabata. Ou autores destacados como Kobo Abe, Teru Miyamoto, Shusaku Endo ou Nagai Kafu.

Adorei o entusiasmo dela pela cultura nipónica mas achei estranha uma coisa: Na lista de autores que ela mencionou eram muito poucos os nomes de escritoras ou poetas (poetizas se preferirem) e eu não podia ser menos, perguntei-lhe por elas!

Mais uma vez confirmei que os nomes de escritoras não surgem na nossa cabeça de forma espontânea.

Começamos a falar das escritoras da literatura japonesa, Murasaki Shikibu, Sei Shonagon, Banana Yoshimoto, Yoko Ogawa, Hiromi Kawakami, Aki Shimazaki, Natsuo Kirino, Miyuki Miyabe, Amy Yamada ou Mitsuyo Kakuta

Há muito boas escritoras japonesas. Está é uma pequena lista, uma selecção pessoal que surgiu durante a conversa mas há muitas outras. Traduzidas para português talvez a lista seja menor mas já podemos encontrar algumas obras. :)

Murasaki ShikibuMurasaki Shikibu

é aquela escritora que sem dúvida alguma merece um lugar na literatura universal (Séc. X). É autora do “O Romance de Genji” (Genji Monagatari), o romance mais antigo da literatura japonesa, Clara Janés fala desta escritora e da importância da sua obra no livro “Guardar la casa y cerrar la boca”.

Shikibu pertence ao período Heian, também é poeta, escreveu uma das mais importantes obras da história da literatura, caracterizada pela recreação psicológicas das personagens, especialmente, a do príncipe Genji, filho do imperador que procura recuperar os seus direitos legítimos roubados durante a sua infância.

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O Romance do Genji – VOL I e VOL II de Murasaki Shikibu

O Romance do Genji, escrito entre 1005 e 1014, encena as intrigas políticas e amorosas da corte Heian, um turbilhão de histórias em que se misturam a sensualidade e o refinamento, a sátira e a comédia, os mitos e as aventuras amorosas. Embora o personagem principal seja Genji, um resplandecente príncipe, o enredo é orquestrado por mulheres, compondo uma obra melancólica, uma meditação sobre a precariedade da vida que é ao mesmo tempo um tratado das paixões e a descrição minuciosa de uma época.
A narrativa decorre entre a segunda metade do século X e o início do século XI, quando a Europa atravessava uma época sombria e só a China e o Japão possuíam civilizações dignas desse nome. No ano de 784 a capital do Japão fora mudada para Heian Kyo «a Cidade da Paz e Tranquilidade», actual Quioto. Foi o início de um período decisivo da história do Japão, marcado pela assimilação do legado espiritual da China e, em particular, do budismo. A civilização nipónica conheceu então, nas suas camadas aristocráticas, um período de sofisticação e cultura que viria a ser comparada com o Grand Siècle de Luís XIV mas que se prolongaria por quatrocentos anos. Foi nessa época que além de O Romance do Genji surgiram os Contos de Ise que entusiasmaram Borges, a poesia de Ono no Komachi e as narrativas de Sei Shônagon.

Hiromi KawakamiHiromi Kawakami

Nasceu em 1958 e pertence a geração de Ogawa e Yoshimoto, Hiromi Kawakami é outra escritora de grande popularidade graças aos seus romances simples mas expressivos cheios de histórias onde as emoções têm um protagonismo especial.

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Os Anos Doces de Hiromi Kawakami

“Omachi Tsukiko encontra uma tarde, por acaso, o seu antigo professor de Japonês num izakaya onde por vezes vai no regresso do trabalho. No decurso dos vários encontros que se sucedem, vai estabelecer-se entre eles, de modo quase impercetível, uma ligação difícil de definir, até dada a enorme diferença de idades. Juntos vão apanhar cogumelos, visitar um mercado, participar numa festa de cerejeiras em flor. São acontecimentos prosaicos, mas que, de modo subtil, vão tecendo um véu que parece capaz de dissipar-se a qualquer momento. O estilo de Kawakami capta a delicadeza da vida no exacto momento em que ela parece dissolver-se. Os Anos Doces recebeu o Prémio Tanizaki em 2001.

Manazuru de Hiromi Kawakami
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“Passaram-se doze anos desde que o marido deixou Kei só, com uma filha de três anos. O único indício que ele lhe deixou foi a palavra Manazuru, escrita no diário, o que a leva a dirigir-se regularmente à povoação costeira com esse nome, apesar da relação amorosa que agora tem com um homem casado.
Como sempre acontece nos romances de Kawakami, o tempo decorre lentamente e as emoções revelam-se nos pequenos gestos, nos encontros efémeros, na delicadeza das sensações. Mas em Manazuru é mais tangível a presença de um mundo invisível que impregna o quotidiano e perturba a geografia sentimental das personagens.
Junto ao mar, há o ruído da chuva no céu imenso, as centelhas de um incêndio, o voo das garças sobre as casas em ruína: um instante luminoso entre a aparição e o desaparecimento, os mistérios de ausência e o apelo da vida.
Manazuru é uma meditação sobre a memória e o futuro, uma delicada exploração das relações entre homens e mulheres e entre pais e filhos no Japão dos nossos dias.”

transferir (2)Natsuo Kirino

Natsuo Kirino nasceu em 1951 e rapidamente se estabeleceu no Japão como um exemplo do tipo de escrita raro, cujos livros se situam muito para lá da categoria de «policiais». É uma autora prolixa, comparada a Murakami, que está a ser descoberta no ocidente através das traduções, e que é muito conceituada no seu país. Podem visitar o site da autora aqui»»

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Out – Uma Saída de Natsuo Kirino

Yayoi, uma mulher ainda nova e bonita, que trabalha em part-time no turno da noite de uma fábrica de refeições pré-embaladas, mata o marido. Quase por instinto, pede a Masako, a colega mais velha, racional e inteligente, que a ajude a ocultar o crime.
Masako conta com a colaboração de Yoshie e de Kuniko, duas outras mulheres da fábrica. Cada uma delas transporta consigo a inevitabilidade de um drama doméstico suburbano – longe da imagem da geisha e de uma cidade de Tóquio glamorosa, perto da realidade patética e pungente da sociedade de consumo. Mais próximo de Crime e Castigo do que de Telma e Louise, este livro é uma viagem memorável a um submundo, uma digressão pelos silêncios cheios de sentido que nos ensinam que sim, há pressões que nos levam a cometer um crime.

Yoko Ogawa_credit_masaaki_toyouraYoko Ogawa,

junto com Yoshimoto é uma das autoras japonesas com um número de vendas considerável. Yoko Ogawa (1962) conta histórias povoadas de personagens solitárias que procuram a sua identidade, mas confesso que a sua escrita surrealista e onírica por vezes me parece um pouquinho sensível de mais e excessivamente ‘bondosa’.

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A Magia dos Números de Yoko Ogawa

“Neste subtil romance sobre a herança e a filiação – e em que três gerações se encontram sob o signo de uma memória extraviada e fugidia – a narrativa desdobra-se com a graça e o rigor de um origami. Lapidar e profundo como um haiku.”

Hotel Íris de Yoko Ogawa
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“Mari e a sua mãe são proprietárias de um pequeno hotel à beira-mar. É um hotel modesto, mas bem gerido e está quase sempre completo. Mari toma conta da recepção todas as noites e, como em todas as noites, a tranquilidade e o silêncio reinam no pequeno hotel. De repente ouvemse gritos, insultos — proferidos por uma mulher que sai agora do quarto de um dos seus hóspedes mais discretos. Mari fica impressionada com a cena e, inconscientemente, com a elegância e distinção deste homem quase velho, acusado dos piores desvios. Alguns dias mais tarde cruzar-se-á com ele na rua e começará a seguilo. O homem que inicialmente apenas a intrigou, tornar-se-á uma obsessão e objecto do seu desejo.”

E vocês que escritoras japonesas acrescentavam a esta lista? Deixem as vossAS recomendações literárias nos comentários. Obrigada!

Antes de me despedir, fica aqui uma dica: quem quiser conhecer mais obras literárias do Japão, encontra no Bungaku um material de encher os olhos, tanto de clássicos como de contemporâneos. Vale à pena!

Um abraço da vossa livreira,

Sem Título

Foto de capa: Imagem: filme Air Doll (2009)

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